CIP apela à aprovação do plano de recuperação: “Previsões de Bruxelas são um novo sinal vermelho”

A Confederação Empresarial de Portugal defende ainda a “rápida” intervenção do Governo português, que passa pela criação de uma ‘bazuca’ nacional’ “que faça mesmo a diferença”.

Cristina Bernardo

A CIP – Empresarial de Portugal reagiu esta terça-feira ao agravamento das previsões económicas de Bruxelas para Portugal com um apelo aos Estados-membros para que aprovem o plano de recuperação europeu ainda este mês – uma ideia que tem vindo a ser defendida pelo primeiro-ministro, António Costa.

“As previsões económicas hoje divulgadas pela Comissão Europeia são um novo sinal vermelho”, alerta a entidade liderada por António Saraiva. A CIP lança o desafio aos líderes europeus de aproveitarem o Conselho Europeu de dia 17 de julho para darem ‘luz verde’ ao fundo de 750 mil milhões de euros.

“Para  fazer face à maior crise económica dos últimos 100 anos que a União Europeia esteja à altura  das suas responsabilidades e que se criem as condições para uma resposta efetiva a partir de  janeiro de 2021, de modo a mitigar os impactos económicos e sociais da recessão e a dar um  novo horizonte de esperança ao projeto europeu”, refere a confederação, em comunicado.

A CIP considera ainda que a estimativa da Comissão Europeia de uma contração de 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) português é sinal de que o Governo tem agir, com medidas “simples, suficientes” que cheguem “rapidamente” à economia e às empresas, o que passa, por exemplo, pela manutenção do regime de lay-off simplificado. “É da máxima importância que o Governo avance urgentemente para a capitalização das empresas (implementando uma ‘bazuca portuguesa’ que faça mesmo a diferença) e que resolva problemas como o dos seguros de crédito no mercado nacional”, sugerem os patrões, na mesma nota.

Bruxelas prevê que o PIB nacional comece a recuperar em torno dos 6% já no próximo ano. “Com o confinamento a começar a diminuir em maio, a atividade económica está lentamente a retomar, mas para muitas empresas, tais como companhias aéreas e hotéis, é expectável que a mesma permaneça bem abaixo dos níveis registados antes da pandemia durante um longo período. O PIB deverá assim recuar 9,8% em 2020, antes de recuperar em torno dos 6% em 2021”, adiantou o executivo comunitário, no relatório divulgado esta manhã.

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