CIP apoia prioridades da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, mas pede chegada urgente dos fundos

Numa carta de apresentação das prioridades das empresas portuguesas para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, António Saraiva diz que as empresas devem ser colocadas no centro da recuperação económica e que é necessário “aproveitar ao máximo soluções inovadoras e flexíveis que permitam políticas ativas” no mercado de trabalho.

Cristina Bernardo

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal defende a urgência na chegada dos fundos europeus à economia, argumentando que as empresas devem ser colocadas no centro da recuperação. A instituição presidida por António Saraiva apoia ainda assim as prioridades da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Numa carta de apresentação das prioridades das empresas portuguesas para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, enviada ao Governo e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o patrão dos patrões salienta que as empresas devem ser colocadas no centro da recuperação económica, “depois de terem assumido uma grande responsabilidade ao conseguirem manter amplamente o emprego durante a pandemia e de terem demonstrado criatividade e flexibilidade para se adaptarem”.

“Contudo, muitas empresas colapsaram e uma grande parte está a esgotar as reservas disponíveis para se manterem em funcionamento”, refere António Saraiva, acrescentando que “os apoios públicos, até ao momento, têm conseguido mitigar dificuldades e conter o aumento do desemprego. No entanto, são manifestamente insuficientes, no contexto de uma crise avassaladora que se arrasta há largos meses”.

A confederação patronal apoia as prioridades definidas para a Presidência portuguesa de uma Europa resiliente, social, verde, digital e global, mas deixa algumas recomendações, entre as quais garantir uma recuperação “forte, sustentável e inclusiva” e para tal considera ser necessário “aproveitar ao máximo soluções inovadoras e flexíveis que permitam políticas ativas no mercado de trabalho, para promover a redistribuição de trabalhadores dos setores mais afetados para outros que sofrem com a escassez de mão de obra”.

“As medidas a serem adoptadas devem levar em consideração o momento difícil que as empresas privadas, principal fonte geradora de empregos, enfrentar e, assim, evitar encargos adicionais”, pode ler-se no documento das prioridades da confederação.

O presidente da CIP urge ainda a libertação das empresas de “custos desnecessários, eliminar barreiras existentes no mercado único, e assegurar condições equitativas no acesso aos mercados”.

“É importante, também, adequar as nossas ambições à nova realidade. Devemos certamente avançar com a dupla transição climática e digital, dado que são a resposta para o nosso crescimento no médio e longo prazo. Contudo, os objetivos não poderão ser alcançados no imediato, pelo que temos de lidar com as necessidades e a realidade económica atuais”, afirma António Saraiva.

Exorta ainda a Europa a concretizar dos acordos comerciais existentes e a ratificação dos acordos já celebrados, como o do Mercosul, ao aprofundamento das relações União Europeia-África e ao relançamento da agenda transatlântica.

“A pandemia alertou para as fragilidades do sistema devido a uma rigidez exagerada que caracterizou as cadeias globais de valor e evidenciou as dependências excessivas em determinados setores ou em relação a determinados países. No seu esforço para garantir a autonomia estratégica, a Europa não deve fechar-se”, acrescenta António Saraiva.

Ler mais

Recomendadas

Operadores oferecem mais de 200 milhões de euros no sétimo dia da fase principal do leilão do 5G

Face de licitação principal do leilão do 5G chega aos 200,4 milhões de euros. Propostas superam em 4,2 milhões de euros as ofertas das rondas de quinta-feira.

PremiumDeolinda Silva: “Indústria alimentar pode ser exportadora líquida num futuro próximo”

As exportações do sector agroalimentar português cresceram cerca de 20% entre 2015 e 2019. Nesse ano, as empresas associadas da PortugalFoods exportaram 830 milhões de euros, um crescimento de 40% no período em causa.

Bruxelas propõe alterar OE2021 para ajudar Estados-Membros na adaptação ao Brexit

Este ajuste garantirá a disponibilidade de recursos suficientes este ano para ajudar os 27 países do bloco europeu a fazer face aos efeitos imediatos do Brexit.
Comentários