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CIP exige aceleração da implementação do Relatório Draghi

A CIP alerta que apenas 11% das recomendações do Relatório Draghi foram implementadas, travando investimento e competitividade na UE e anuncia a conferência “Competitividade europeia 18 meses após o Relatório Draghi” onde se vai debater medidas urgentes para acelerar a sua implementação.
16 Março 2026, 09h00

A implementação das recomendações do Relatório Draghi continua a ser lenta, limitando o investimento, a produtividade, o crescimento e o emprego na União Europeia. É esta a principal conclusão do Reform Barometer da BusinessEurope, que será debatida em Lisboa na conferência “Competitividade europeia 18 meses após o Relatório Draghi”, organizada com o apoio da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, no próximo dia 17 de março.

O evento, que terá lugar no Museu do Dinheiro do Banco de Portugal, contará com a presença do Governo, do Banco de Portugal e de economistas e empresários, e terá como foco o reforço da competitividade e do investimento na economia europeia.

Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, alerta que apenas cerca de 11% das recomendações apresentadas por Mário Draghi em setembro de 2024 foram implementadas até ao momento. “Não bastam declarações políticas em defesa da competitividade. São necessárias medidas urgentes que aliviem a carga sobre as empresas de forma evidente e imediata”, sublinha.“Não bastam mensagens políticas em defesa da competitividade, são necessárias medidas urgentes que aliviem a carga das empresas de forma evidente e imediata”.

A conferência, organizada em conjunto com a BusinessEurope – a maior confederação empresarial europeia, da qual a CIP é membro – contará com intervenções de João Maria Brandão de Brito, secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, e de representantes de instituições financeiras, académicas e empresariais.

Será também apresentada a edição de 2026 do Reform Barometer, um dos principais estudos europeus sobre reformas económicas e competitividade. Entre as conclusões, o relatório indica que quase 60% das confederações nacionais associadas à BusinessEurope têm uma visão mais favorável da agenda de competitividade e crescimento da Comissão Europeia do que há um ano. Porém, apenas 19% dos inquiridos notam uma melhoria no ambiente de investimento, enquanto mais de metade considera que não houve alterações e cerca de um terço aponta mesmo para um agravamento das condições.

Entre os temas em debate estarão o estado da competitividade da União Europeia num contexto de crescente concorrência global e o próximo Quadro Financeiro Plurianual, com especial atenção ao papel da política de coesão no apoio ao investimento.

“A forma de financiar o aumento da competitividade europeia é uma das grandes questões que irão estar em debate nesta conferência em Lisboa”, afirma Joana Valente, diretora Executiva de Relações Internacionais da CIP. “O principal motor será sempre o investimento privado, mas os programas e políticas europeias podem desempenhar um papel decisivo, pela sua capacidade de orientar e alavancar investimento”. Segundo Joana Valente, “o que se espera do próximo Quadro Financeiro Plurianual, e o papel que a política de coesão europeia terá no apoio ao investimento, serão, por isso, temas centrais desta discussão”.

O desenvolvimento da União das Poupanças e Investimentos, essencial para mobilizar capital para a inovação, a transição energética e o crescimento empresarial, será também um dos pontos em debate. Os trabalhos decorrerão durante toda a manhã de 17 de março.


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