CIP pede “confinamentos mais racionais e inteligentes”

A Confederação Empresarial de Portugal quer mais testes à Covid-19 e o reforço da oferta de transportes públicos “para evitar a aglomeração das pessoas”. Esmagadora maioria das empresas portuguesas disse à confederação patronal que os apoios do Estado estão aquém das necessidades.

A CIP — Confederação Empresarial de Portugal pediu esta segunda-feira ao Governo que as medidas de confinamento da economia para mitigar o risco de contágio de Covid-19 sejam “mais racionais e inteligentes”.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da CIP, falou hoje à comunicação social depois de apresentar o 12º inquérito realizado em parceria com o Marketing Future CastLab do ISCTE, sobre a situação das empresas durante a crise económica e alertou para a necessidade de “confinamentos mais racionais e inteligentes”.

Para o responsável da confederação patronal, o Governo deveria dar mais ênfase à testagem. “É possível testa mais e isolar mais as pessoas contaminadas” com o novo coronavírus, salientou.

Entre as 735 empresas inquiridas, na semana de 11 de janeiro, 83% considerou que os programas de apoio do Estado tem estado aquém ou muito aquém do que é preciso.

Questionado sobre que outras medidas gostaria que fossem tomadas, Rafael Campos Pereira começou por dizer que não “há saúde sem economia”. “Não se pode matar a economia porque ao matar-se a economia, prejudicamos as doenças Covid-19 e não Covid-19”, salientou, apelando ao aumento da oferta de transportes públicos para “evitar a aglomeração de pessoas”.

O vice-presidente da CIP criticou ainda o Executivo por demorar tanto tempo a tomar medidas de capitalização das empresas, algo que a confederação patronal tem pedido desde abril e maio do ano passado.

“Finalmente, o Governo, em janeiro de 2021, anunciou no Banco de Fomento a criação de linhas de crédito em que 20% do montante emprestado poderá ser convertido a fundo perdido para as empresas. São medidas destas que conseguem robustecer e capitalizar as empresas”, frisou Rafael Campos Pereira.

Foram abertas esta segunda-feira duas linhas de crédito de apoio à economia concedidas pelo Banco de Fomento. A “Linha de Apoio à Economia Covid-19: Empresas Exportadoras da Indústria e do Turismo” tem uma dotação global de 1.050 milhões de euros, enquanto a “Linha de Aoio à Economia Covid-19: Empresas de Montagem de Eventos” tem um plafond de 50 milhões de euros.

Em caso de manutenção do número de postos de trabalho por parte das empresas que recorram a estas linhas, até 20% do valor do financiamento poderá ser convertido em subvenção.

As duas linhas preveem um spread máximo de 1,25% para os empréstimos de um ano, 1,5% para empréstimos entre 1 ano e 3 anos, e de 1,85% para empréstimos de 3 a 6 anos.

Questionado sobre as condições de financiamento, Rafael Campos Pereira disse que “nalguns casos, a taxa de juro até genericamente decresce 0,25%”, mas “parece que, de algum modo, há condições menos favoráveis”.

Sobre a possibilidade de conversão de 20% do montante financiado em subvenção a fundo perdido, o vice-presidente da CIP disse que não se sabe se estará sujeita “a alguma condicionante”, nem tão-pouco se sabe se 20% dos montantes emprestados “vão ser necessariamente convertidos em capital, ou não”.

“A única coisa que sabemos, para já, é que implicam [a conversão a fundo perdido de 20% dos empréstimos] a manutenção dos postos de trabalho, o que já vai ao encontro da vontade das empresas“, afirmou o responsável da CIP.

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