Clareza em tempos de crise e incerteza

Se nos ficarmos por meias medidas, ao sabor das pressões das várias corporações, corremos o risco de falhar não só na proteção da saúde como na frente económica, o que seria trágico.

O primeiro-ministro António Costa anunciou ontem a proibição de abertura dos supermercados após as 13h00, nos próximos fins de semana. Trata-se de uma decisão positiva, porque é clarificadora.

Portugal enfrenta uma crise muito grave, tanto no domínio sanitário como económico. Mais do que nunca, o Governo tem de transmitir informação clara e simples de entender. E a lei tem de ser igual para todos. Só assim será possível incentivar os cidadãos a cumprirem as regras.

As medidas que estão a ser impostas são duríssimas para alguns setores, como o comércio e a restauração. Neste preciso momento, dezenas de milhar de famílias portuguesas enfrentam situações de verdadeiro desespero, pelo que os protestos contra as restrições são compreensíveis para qualquer pessoa que tenha coração.

No entanto, não nos podemos esquecer que está em causa a proteção da saúde pública. Perante esta situação, o Governo tem de explicar que os restaurantes e o comércio devem fechar a determinadas horas porque tal é necessário para salvar milhares de vidas. E tem de afirmar isto sem margem para dúvidas, exceções ou contradições, deixando claro que a economia só recuperará de verdade no dia em que a pandemia estiver controlada. Se nos ficarmos por meias medidas, ao sabor das pressões das várias corporações, corremos o risco de falhar não só na proteção da saúde como na frente económica, o que seria trágico.

Por fim, a solidariedade que está a ser exigida aos setores da restauração e do comércio deve ter duas vias. O Governo tem de garantir que os setores mais sacrificados no combate à pandemia são verdadeiramente apoiados pelo Estado, fazendo o dinheiro chegar às empresas e às famílias o mais depressa possível e sem complicações.

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