Cloudflare: “Continuamos a contratar em Lisboa porque acreditamos na localização e no ecossistema”

A Cloudflare abriu o escritório em Lisboa há um ano e o Jornal Económico falou com o CTO da empresa, John Graham-Cumming, para perceber como tem sido a adaptação e se a expansão para outras cidades está em cima da mesa.

John Graham-Cumming, CTO Cloudflare | Cristina Bernardo

Um ano após a entrada em Portugal e de uma entrevista no maior palco tecnológico de Lisboa (Web Summit), John Graham-Cumming, CTO da Cloudflare, voltou a falar com o Jornal Económico onde fez o balanço de um ano, a mudança para um escritório maior a meio de uma pandemia, que entretanto ficou vazio, e as vantagens da escolha ter recaído sobre a cidade de Lisboa.

Um ano de Cloudflare em Portugal. Qual o balanço de um ano de trabalho em Lisboa?

Estamos muito satisfeitos com o nosso primeiro ano em Lisboa. Conseguimos, quase quadruplicar o tamanho da nossa equipa, encontrámos uma excelente localização para o nosso escritório e expandimos o número de equipas que estamos a contratar. Lisboa tornou-se muito importante para o futuro da Cloudflare, pois vimos o que Lisboa tem para oferecer.

Quais têm sido as vantagens de escolher Portugal?

Um alto padrão de vida para os nossos funcionários a um custo relativamente baixo. Muito talento disponível em funções diferentes, incluindo engenharia, segurança, finanças, recursos humanos. O mesmo fuso horário de Londres torna mais fácil lidar com a nossa sede na área Europa, Oriente Médio e África e contactos com São Francisco. O ambiente amigável para estrangeiros que venham a Portugal. Bom tempo e comida!

Quais têm sido os desafios de escolher Portugal?

As tarefas administrativas parecem demorar sempre mais do que o esperado e, portanto, temos de ter isso em consideração nos nossos processos.

Como é que o ecossistema tecnológico está a mudar?

A Covid-19 tem sido o grande impulsionador da mudança no ecossistema da tecnologia. Muitas empresas congelaram as contratações ou demitiram funcionários. Outros fecharam escritórios. Continuamos a contratar em Lisboa porque acreditamos na localização e no ecossistema local e temos a certeza que vai recuperar.

Da última vez que falámos, na Web Summit em 2019, a equipa da Cloudflare em Lisboa contava com 12 pessoas. Quantas pessoas tem a equipa agora? Quantas nacionalidades?

Temos 45 pessoas agora. Não sei as nacionalidades, mas são, pelo menos, dez. Embora tenhamos muitos estrangeiros (em parte porque nossa equipa do começou, em 2019, era de fora de Portugal), temos contratado localmente.

Vão voltar a contratar antes do fim do ano?

Sim. Esperamos ter 80 pessoas até o final do ano e, neste momento, temos cerca de 25 vagas abertas.

A Covid-19 chegou e ainda não nos abandonou, e ainda assim abriram um novo escritório. Como foi abrir um escritório vazio?

Foi estranho, claro, mas a situação foi estranha para todos, em todo o lado. Mudámo-nos para o nosso novo escritório no Marquês de Pombal no início de abril. Claro que ninguém foi lá e atualmente encontra-se vazio, com exceção de uma ou duas pessoas que lá vão ocasionalmente. Não esperamos ocupar totalmente o escritório antes de 2021.

Estão a pensar crescer para mais cidades portuguesas?

Não, estamos a concentrar-nos em Lisboa neste momento. Reconhecemos que existe uma tecnologia forte e um ecossistema em torno do Porto, mas é importante para nós construirmos uma equipa forte num local antes de partir para outra cidade ou país.

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