‘Cold property’

Trump baralhou-se e pensou que poderia fazer da ‘Greenland’ um imenso campo de golfe. Mal pensado, pois está coberta de gelo. Terá olhado para um mapa?

Donald Trump quer comprar a Gronelândia. Para já, três explicações foram avançadas para facto tão estranho: a primeira que não foi mais que uma confusão da parte dele, ao pensar que, tratando-se da Greenland, conseguia fazer dela um imenso campo de golfe. Mal pensado, porque a Greenland está coberta de gelo, é a Iceland que é verde como um prado gigante. A subtileza desta troca entre os nomes e as morfologias locais escapou ao presidente, a quem já se pergunta se sabe localizar a Gronelândia no mapa.

A segunda explicação é que o nosso homem, aconselhado pelo Robles, quis comprar a Gronelândia para fazer dela um condomínio fechado, um negócio de alojamento local onde nem um muro tem que fazer. A terceira explicação é que lhe pareceu um negócio da China, pois Trump não se apercebeu que o mapa é uma projeção de Mercator e nela a Gronelândia aparece 16 vezes maior do que é, e maior que os EUA; Trump pensa, erradamente, que com ela fará a América Grande a sério. Mas, infelizmente para ele, apenas estaria a pagar 16 vezes mais do que pensava, é o que dá saber pouco de Geografia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca reagiu de maneira polida, afirmando que a Dinamarca não vai vender 50 mil dinamarqueses e que o território está “open for business, not for sale.” Na classe política, uma das reações mais moderadas foi a de Rasmus Jarlov: um seco “esqueça.” Mas a verdade é que a ideia não é tão ridícula como parece: em 1917 a Dinamarca vendeu as Índias Ocidentais Dinamarquesas aos EUA por 25 milhões de dólares, tendo-se depois tornado as Ilhas Virgens. Claro que isto não quer dizer que venda a Gronelândia.

Em 1867, o Departamento de Estado terá demonstrado interesse em adquirir a Gronelândia e a Islândia; a resposta foi não e não houve negócio. Muitos anos mais tarde conta-nos o “Telegraph” que o historiador Tage Kaarsted terá relatado que numa reunião nas Nações Unidas em 1946, em Nova Iorque, o Secretário de Estado americano James Byrnes ofereceu 100 milhões pela ilha, oferta de novo recusada. E como não há duas sem três, Trump apenas fez a sua obrigação.

Agora, ou desiste, ou faz como Putin lhe recomendou, a receita da Crimeia, e anexa a Gronelândia. Tem o precedente histórico do México. Ainda por cima, pode argumentar que devendo-se a ele boa parte do esforço pelo aquecimento global, que vai derreter o gelo e fazer despontar a relva, os terrenos da Gronelândia vão valorizar muito. É injusto que sejam os dinamarqueses a ganhar, que nada fizeram por isso, pelo contrário, os tolos querem evitar o aquecimento global e perder esta enorme oportunidade. Portanto, ele apenas quer ficar com o que é seu de direito.

Mas e se ele não ficar com a Gronelândia, o que vai acontecer? Vamos resistir à tentação de nos livrarmos do buraco, mandando-o passear quando nos tentar comprar a Madeira?

Recomendadas

Corrida aos Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo

Urge dotar estes Centros de mais recursos técnicos e humanos, para dar cabal resposta às novas solicitações, sob pena da presente alteração corresponder, para o consumidor, a uma vitória de Pirro.

Será que protestar nos leva a algum lado?

Os protestos em massa não provocam mudanças efetivas nas políticas e ações dos governos, mas são um primeiro passo para alcançar possíveis compromissos.

A força do “made in Portugal” no calçado português

Saber fazer, qualidade, flexibilidade e responsabilidade são apenas quatro fatores diferenciadores do calçado português.
Comentários