TAP apresenta prejuízo de 582 milhões de euros no primeiro semestre

Um resultado líquido negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020 é a primeira informação da TAP S.A. que o CEO interino, Ramiro Sequeira, comunica oficialmente. A margem EBITDA cai para -20%, isto é, 28,7 pontos percentuais abaixo do verificado no primeiro semestre de 2019.

A TAP S.A. apresentou um resultado líquido negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020 – segundo informação divulgada esta segunda-feira pela TAP à CMVM –, sendo estes os primeiros números da companhia aérea portuguesa a serem comunicados pelo CEO interino, Ramiro Sequeira, que sucedeu a Antonoaldo Neves, o gestor que ainda liderou a empresa de janeiro a junho.

A situação dramática vivida pela TAP no segundo trimestre de 2020 é ilustrada pela queda de 99% no volume de assentos-quilómetro oferecidos pela companhia aérea em abril. O Jornal Económico sabe que a TAP já recebeu três tranches de auxílios no valor global de 499 milhões de euros, aguardando agora que sejam cumpridos os cronogramas dos restantes pagamentos negociados com Bruxelas do total dos 946 milhões de euros ao qual poderá acrescer um montante adicional de 254 milhões de euros.

Atualmente a TAP tem “em curso a preparação do plano de reestruturação a ser submetido à Comissão Europeia até 10 de dezembro de 2020”, adianta a empresa.

“A Covid-19 causou enormes prejuízos a toda a economia e à indústria de transporte aéreo em particular, com a TAP S.A. a registar um resultado líquido consolidado negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, o que representa 96% do resultado líquido do primeiro semestre do Grupo TAP (consolidado da TAP SGPS), que foi negativo em 606 milhões de euros”, explicou a empresa.

Margem cai 29 pontos percentuais

A “margem EBITDA (o resultado operacional mais as depreciações, amortizações e perdas por imparidade) cai para -20%”, isto é, “28,7 pontos percentuais abaixo do verificado no primeiro semestre de 2019”, refere o comunicado da TAP enviado à CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o que levou a companhia a apresentar um “resultado liquido negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, agravado pelo impacto da contabilização de custos de excesso de cobertura (o designado ‘overhedge’) de jet fuel no montante de 136,3 milhões de euros e diferenças de câmbio líquidas negativas de 58,0 milhões de euros, parte dos quais sem impacto em tesouraria”, explica a TAP.

O decréscimo de capacidade oferecida pela TAP atingiu o máximo de -99% em abril, medido em ASK – Available Seat Kilometer, ou seja, medido pelo volume de ‘assentos-quilómetro oferecidos’, adianta a companhia aérea.

“Antes da declaração de pandemia, todos os principais indicadores de atividade da TAP evoluíam de forma muito positiva, seguindo a tendência já observada no segundo semestre de 2019”, refere a TAP, explicando que “tal facto, somado ao reforço de caixa ocorrido no final de 2019 e ao alongamento do perfil de maturidades da dívida concretizado em fevereiro de 2020, permitiu assegurar uma posição forte de caixa que foi fundamental para a TAP fazer face aos primeiros impactos da redução drástica da atividade”.

O Jornal Económico sabe que o prazo médio da dívida, que era de dois anos antes do alongamento das maturidades, passou em 2019 para cerca de 5 anos.

“Agilidade e rapidez”

“A TAP atuou com agilidade e rapidez aos primeiros sinais de impacto da pandemia, adequando a capacidade ao novo cenário de procura e minimizando assim os custos operacionais com o objetivo de preservação de caixa. Foram tomadas diversas medidas adicionais para preservar a liquidez e o futuro de longo prazo da empresa, nomeadamente medidas de controle e de redução de custos, suspensão ou adiamento de investimentos não críticos e renegociação de contratos e prazos de pagamento”, esclarece a transportadora.

“Estas medidas permitiram à TAP manter liquidez suficiente até à concretização do auxílio de Estado, no montante de até 946 milhões de euros (ao qual poderá acrescer um montante adicional de 254 milhões de euros, sem que, contudo, o Estado Português se encontre vinculado à sua disponibilização), que em paralelo com o plano de reestruturação cuja preparação se encontra em curso visa garantir à TAP a continuidade do negócio e a consolidação da sua atividade e resultados”, adianta em comunicado à CMVM. O JE sabe que a TAP já recebeu três tranches de auxílios no valor total de 499 milhões de euros, aguardando agora que sejam cumpridos os cronogramas dos restantes pagamentos negociados com Bruxelas.

O desempenho financeiro e operacional da TAP no primeiro semestre de 2020 “foi severamente impactado pela contração da procura e redução de atividade a partir de março de 2020 em resultado da pandemia Covid-19”, refere a TAP. A companhia informa que “a Covid-19 causou enormes prejuízos a toda a economia e à indústria de transporte aéreo em particular, com a TAP S.A. a registar um resultado líquido consolidado negativo de 582 milhões de euros no primeiro semestre de 2020, o que representa 96% do resultado líquido do primeiro semestre do Grupo TAP (consolidado da TAP SGPS), que foi negativo em 606 milhões de euros”. A TAP informa ainda que “está a levar a cabo uma reposição segura e sustentável da sua operação, à medida que a procura o permite e que as restrições vão sendo levantadas ou minimizadas”.

Performance operacional tinha melhorado em janeiro e fevereiro

A TAP apresentava antes da pandemia, em janeiro e fevereiro de 2020, uma melhoria significativa dos principais indicadores operacionais e financeiros, que evidenciam a trajetória positiva e de melhoria de rentabilidade operacional, que vinha a ser traçada pela TAP. Nos primeiros dois meses do ano, o número de passageiros transportados aumentou 13,4% e o load factor (a taxa de ocupação) em 1,9 p.p. relativamente a idêntico período do ano anterior e foi alcançada uma margem EBITDA (resultado operacional mais as depreciações, amortizações e perdas por imparidade) de 5,1%, o que representa uma melhoria de 12,9 p.p. face ao mesmo período de 2019.

Segundo o comunicado da TAP, “janeiro e fevereiro evidenciaram melhorias no desempenho da TAP nos seus principais indicadores, dando continuidade à recuperação iniciada pela TAP no segundo semestre de 2019, mas os efeitos da pandemia de Covid-19 sentidos a partir de março interromperam essa evolução positiva, com impactos negativos no primeiro semestre de 2020, mas sobretudo no segundo trimestre, em que os prejuízos dispararam”.

Assim, nesses dois meses, a TAP registou “mais 280 mil passageiros que em igual período do ano passado, totalizando 2,4 milhões de passageiros transportados, um crescimento de 13,4%, face ao período homólogo do ano anterior”, refere a empresa em comunicado à CMVM. O “Load Factor” (ou taxa de ocupação) foi de “74,7%, mais 1,9 pontos percentuais que nos dois primeiros meses de 2019”, adianta, referindo que “as receitas de passagens ascenderam a 411 milhões de euros, mais 71 milhões que no acumulado de janeiro e fevereiro do ano anterior”. “A margem EBITDA acumulada de janeiro e fevereiro foi de 5,1%, mais 12,9 pontos percentuais que no acumulado dos dois primeiros meses de 2019”, detalho a companhia.

Mas a pandemia de Covid-19 “trouxe forte quebra da atividade, que impactou fortemente os resultados acumulados do primeiro semestre apesar da rápida e eficiente reação da TAP”, refere a empresa em comunicado à CMVM. O resultado foram “menos 4,9 milhões de passageiros”, ou seja, uma “quebra de 62% no total de passageiros transportados no primeiro semestre de 2020, quando comparado com igual período de 2019”, diz a TAP. Assim, obteve “menos 730 milhões de euros em receitas de passagens, uma redução de 57,2% nos primeiros seis meses de 2020 em relação ao período homologo”, ao mesmo tempo que registou uma “diminuição de gastos operacionais em 460 milhões de euros, menos 30% que no primeiro semestre de 2019”. O “consumo de caixa diário reduziu-se em aproximadamente 50% entre abril e junho de 2020”, refletindo “as iniciativas implementadas com o objetivo de conter o impacto da pandemia na tesouraria”, adianta a TAP.

Medidas adicionais para preservar liquidez

“Foram tomadas diversas medidas adicionais para preservar a liquidez da TAP incluindo a suspensão ou adiamento de investimentos não críticos, renegociação de contratos e prazos de pagamento, corte de despesas acessórias, suspensão de contratações, e progressões, não renovação de contratos de colaboradores a termo, bem como a adesão ao regime de layoff simplificado e implementação de programas de licenças sem vencimento temporárias”, refere a TAP. Estas medidas “permitiram à TAP reduzir de forma bastante significativa o consumo diário de caixa e manter liquidez suficiente até à concretização do auxílio de Estado, mediante a celebração de um contrato de financiamento celebrado entre o Grupo TAP e o Estado Português, cuja primeira tranche ocorreu em 17 de julho de 2020”, refere.

A TAP informa igualmente que “está empenhada em garantir a retoma da operação de modo seguro e sustentável”. Desde logo, a TAP “teve como principal preocupação implementar medidas para proteger a saúde e segurança dos seus clientes e tripulação, em linha com as orientações das entidades competentes e em articulação próxima com a UCS (Unidade de Cuidados de Saúde do Grupo TAP)”, adiantando que, “simultaneamente, tem monitorizado de perto a evolução da procura, bem como da pandemia, adaptando a sua rede e operações em conformidade”.

 

 

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