Comissão Europeia previu que no melhor cenário as perdas do Novo Banco com ativos do BES seriam entre 3 e 4 mil milhões

A Comissão Europeia, no documento publicado no início de 2018, revela, no ponto 224, a sua estimativa do custo da reestruturação do Novo Banco, e portanto do uso do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA), que “no melhor cenário” seria entre 3 e 4 mil milhões de euros. Sobre o EuroBic diz que o Novo Banco ainda está impedido de fazer aquisições, mas no futuro deve procurar operações que criem valor.

O presidente do Conselho de Administração da Nani Holdings, Evgeny Kazarez, revelou na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, que a Comissão Europeia, no documento publicado no início de 2018, revela, no ponto 224, a sua estimativa do custo da reestruturação do Novo Banco, e portanto do uso do Mecanismo de Capitalização Contingente (CCA), que “no melhor cenário” seria entre 3 e 4 mil milhões de euros.

Esta estimativa justifica o valor do mecanismo de capitalização contingente, de 3,89 mil milhões de euros, dos quais o Novo Banco já consumiu 2.976 milhões de euros, restando 914 milhões de euros. Com a chamada de capital de 598,3 milhões o mecanismo não és esgotado. O valor da injeção deverá ser definido esta semana, podendo ser já de 430 milhões de euros, devido ao diferendo relativo ao impacto da venda do banco em Espanha.

“A administração do Novo Banco já disse que este ano será de lucros e com base nessa expectativa assumo que não haverá mais pedidos de capital ao Fundo de Resolução no âmbito do mecanismo de capitalização contingente”, mas há factores de risco, como a pandemia, as moratórias, admitiu.

“A reestruturação do Novo Banco terminou no final do ano passado”, disse o presidente da empresa maior acionista do banco.

Sobre a possibilidade de o Novo Banco comprar outros bancos, nomeadamente a possibilidade de o banco comprar o EuroBic, notícia avançada pelo Jornal Económico, Kazarez lembrou que antes do plano de reestruturação estar concluído o banco está impedido de fazer aquisições. Na sua opinião “este calendário ainda não ocorreu”. No futuro a administração do Novo Banco deve considerar “oportunidades de criação de valor para os acionistas, Nani Holding e Fundo de Resolução”.

O presidente da Nani Holdings reconheceu ainda, nesta terceira ronda, que a Hudson Advisors (da Lone Star) é uma das exceções ao impedimento a que estão sujeitas às partes relacionadas. A Hudson Advisors assessorou o Novo Banco na venda de uma carteira de imóveis, a Viriato, entre 2018 e 2019, que gerou perdas de 110 milhões de euros.

O presidente da Nani Holdings diz que a Hudson Advisors “não pressiona o banco para fazer imparidades”.

No final de 2017, Evgeny Kazarez iniciou conversas junto da Hudson Advisors, empresa que presta serviços à Lone Star em jurisdições espalhadas por todo o mundo, tendo abandonado o Deutsche Bank e começado a trabalhar na Hudson em junho de 2018. Na gestora Hudson desenvolveu sistemas tecnológicos para a instituição liderada por António Ramalho.

Já em 2019 a Lone Star contactou Evgeny Kazarez para ser presidente do conselho de administração da Nani Holdings.

“Trabalhei para o Deutsche Bank em Londres, fazia parte de uma equipa responsável por assessorar instituições financeiras em transações estratégicas”, disse o gestor que acrescentou que nessa equipa trabalhou “em algumas transações em Portugal”. “Fui parte da equipa que assessorou o Fundo de Resolução relativamente à venda do Novo Banco”, admitiu o presidente da Nani Holdings hoje aos deputados.

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“O Novo Banco está agora a entrar na fase lucrativa”, referiu Evgeny Kazarez, acrescentando que não está previsto haver mais utilizações do CCA (mecanismo de capitalização contingente) porque “na medida do possível” o plano de reestruturação está concluído.

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O presidente da Nani Holding que é dona de 75% do Novo Banco, frisou que entrou só em 2019, dois anos e meio depois de ter sido assinado a venda do banco liderado por António Ramalho, em 2017.
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