Comissões bancárias vs. crédito concedido

Tenho para mim, há muito tempo, que a função nobre da Banca é a intermediação financeira.

Tenho para mim, há muito tempo, que a função nobre da Banca é a intermediação financeira.

O que acontece com muitos bancos é que não conseguem gerar os proveitos suficientes nesta margem, ou na sua complementaridade, até chegar ao produto bancário, devido à má qualidade do seu crédito. E para se ter um crédito de qualidade, não se podem cometer dislates. Isto é, quem aceita e decide os riscos de crédito, tem de ser suficientemente competente para não aceitar o que não se deve aceitar.

Muitas vezes, a análise e gestão de risco não será feita com recursos a modelos suficientemente avançados nesta matéria (Modelo de Markowitz, CAPM – Capital Asset Pricing Model, VaR – Value at Risk, Simulações Históricas e de Monte Carlo, etc.), também e porque não existem profissionais capazes de os entender e de os aplicar. Então, e como consequência de crédito que não se deveria ter concedido, começam a aparecer as imparidades e os incumprimentos, o que implica a constituição de provisões, sendo que tal irá afectar irremediavelmente os resultados do exercício.

Para que o “desastre” não seja tão grande, a Banca há cerca de sete, oito anos começou a disparar com comissões sobre tudo e sobre todos. Algumas mesmo de bradar aos céus, de tão disparatadas que se compaginam.
Qualquer agente económico que contraia um financiamento junto de um banco, que o esteja a pagar na data contractualmernte consagrada, acaba por pagar uma comissão a que os bancos pomposamente chamam “comissão de gestão de cobrança de prestação”. Mas muitas outras existem e que não fazem absolutamente nenhum sentido.
A iniciativa tomada há dias pelo Governo (só entrará em vigor em Janeiro/21), de colocar ordem em muitas comissões bancárias, já deveria ter sido tomada há muito tempo.

A Banca tem de olhar para a forma como concede o seu crédito e minimizar as suas perdas, sobretudo em créditos de dúvida. Aqui deverá seguir aquele postulado muito antigo: “em caso de dúvida, não se concede”.

Depois, dever-se-ia também virar para a desintermediação. Criar produtos apetecíveis para os seus clientes (fundos de investimento), como forma de diversificação dos seus profits e encontrar alternativas para o incremento dos seus resultados. Mas é mais fácil carregar nas comissões de quem não tem para onde se virar, pois todos actuam da mesma forma.

Acredito que o principal problema da Banca hoje está na forma como concede o crédito!

A Banca já avançou muito na digitalização, está aqui no bom caminho. Só falta disciplinar o processo de aceitação e decisão de crédito, para não ser necessário aplicar tantas comissões aos vários agentes económicos. Com o custo dos depósitos no zero (0), e embora as taxas activas possam ser baixas, existe sempre o spread que ajuda a compor o prémio a receber de cada operação activa.

Comprova-se, assim, que pode ser feita uma boa gestão, sem comissões, mas com atenção máxima ao crédito que se concede, porque é aí que está a raiz dos resultados negativos destas Instituições.

 

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

Recomendadas

O que é nacional é bom…, mas, e o plano?

Num contexto de regresso das famílias às rotinas possíveis, aos postos de trabalho e às atividades letivas, num enorme esforço coletivo de superação, surgiram as estatísticas relativas a todas as atividades do setor do Turismo em julho

O populista dentro de si

Marcelo gosta de falar sobre tudo e todos, não resiste. Mas tem de resistir, de abafar o populista que sabemos viver dentro de si próprio.

Não há regozijo em ter menos layoff

O Governo gastou menos do que o previsto a nível das medidas de combate ao impacto da pandemia, caso do layoff simplificado
Comentários