Como abraçar os NPL na estratégia de rendibilidade?

Os Non Performing Loans são créditos com prestações com mais de 90 dias de atraso ou que se antecipa que irão entrar em incumprimento.

Os Non Performing Loans são créditos com prestações com mais de 90 dias de atraso ou que se antecipa que irão entrar em incumprimento. Elevados níveis de NPL afetam a rendibilidade dos bancos, imobilizam capital (diminuindo a capacidade de investimento e de financiamento da economia) e podem colocar em causa a viabilidade das instituições, afetando a confiança no setor financeiro, com potenciais efeitos negativos cross-market.

Nos sete anos após a grande crise financeira de 2007, os níveis de NPL na Europa nos bancos atingiram um máximo de €1,3 triliões. Um conjunto de medidas bem-sucedidas conseguiu reduzir esse montante para ca. €0,6 triliões em 2020 – dados da EBA.

Contudo, com o fim das moratórias concedidas no contexto da pandemia e apesar do reforço da regulamentação específica e da supervisão sobre as práticas de concessão de crédito e gestão de NPL, o Banco Central Europeu estima que o nível de NPL possa ultrapassar o máximo da grande crise em cerca de 10%, afetando sobretudo os setores do turismo, hotelaria, lazer ou transportes e com primeiro reflexo nas empresas com créditos sem colateral, seguidas das famílias dependentes dos setores.

Apesar do impacto ser inevitável, a evidência demonstrou a capacidade da banca para se adaptar, dinamizar as áreas de recuperação e suportar a retoma económica. Mas os custos foram elevados: as áreas de crédito quase pararam, convertendo-se em áreas de recuperação; a relação com diversos clientes que seriam rentáveis degradou-se ou perdeu-se; a rendibilidade, ainda hoje, mantém-se fortemente pressionada.

Perante este outlook, não se pode esperar para adaptar! Há que preparar para a nova vaga de NPL e investir na melhoria das taxas de recuperação e de cura, aproveitando a oportunidade das circunstâncias para proteger a relação com os clientes de longo-prazo. E a solução passa pelas novas tecnologias!

A EY propõe uma abordagem à recuperação assente numa estratégia de intervenção sequencial, envolvendo técnicas de inteligência artificial (AI), machine learning (ML) e suportada por um motor baseado em cloud que consiste em:
1. Utilizar dados transacionais e AI para identificar atempadamente o risco de incumprimento dos clientes, avaliar o seu potencial comercial e propor novos produtos e serviços que permitam mitigar o risco de aumento de imparidades;

2. Aplicar técnicas de ML para selecionar as ações de intervenção mais efetivas (p.e., manter ou vender), assim como o tipo de abordagem e canal a utilizar, permitindo alocar as equipas mais adequadas em função do cliente e dimensão e complexidade das operações, deste modo contribuindo para a qualidade da experiência na relação com o banco e protegendo o risco reputacional;

3. Monitorizar a performance dos NPL, das carteiras no pós-venda, dos custos e da satisfação dos clientes.
Os elementos-críticos? Estrutura da abordagem, qualidade dos algoritmos e qualidade e volume dos dados.

Em conclusão, a solução para os NPL não está na aversão ao risco e recusa à concessão de crédito. O caminho passa por abraçar a gestão dos NPL como elemento para salvaguardar a rendibilidade, com uma abordagem assente em novas tecnologias que contribuirá para a redução dos custos e da imparidade, para a melhoria da experiência dos agentes envolvidos na recuperação – Gestores de Conta, Especialistas de Recuperação, Responsáveis pelo Risco –, para a proteção da relação com os clientes de longo-prazo e, em última análise, para a sustentabilidade do negócio bancário e da economia.

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