Como estimular a inteligência colectiva das suas equipas?

Hoje, não basta termos dados consistentes e informação actualizada para a tomada de decisão em tempo útil. Precisamos de transformá-los em conhecimento capaz de gerar valor.

Colaboração e agilidade em prol da inovação e da produção de valor

Vivemos uma época em que as tecnologias de informação estão amplamente consolidadas no dia-a-dia das empresas. Todos nós passamos grande parte da jornada laboral no espaço virtual, interagindo com a(s) máquina(s), seja em soluções de suporte ao negócio, em sistemas de comunicação (intranets, extranets, internet, emails ou chats) ou ferramentas de produtividade.

Com a crescente digitalização e automatização das rotinas, a optimização simplista dos processos de negócio preconizada na anterior revolução industrial (menor custo, menor tempo, maior quantidade) há muito deixou de ser determinante, especialmente em mercados maduros. Hoje, não basta termos dados consistentes e informação actualizada para a tomada de decisão em tempo útil. Precisamos de transformá-los em conhecimento capaz de gerar valor.

Intangíveis como a criatividade, a diversidade e independência dos colaboradores potenciam a produção desse valor acrescentado, sobretudo em contextos incertos e altamente competitivos. É por isso fundamental trazer os conhecedores do negócio para a definição estratégica, convidando os “operacionais” a incorporar contributos assertivos e positivos. Por outras palavras, aqueles que mais e melhor podem contribuir para a melhoria são, simultaneamente, os principais beneficiários dessa mesma melhoria.

Destas interacções humanas orientadas para fins específicos (e claros para todos os envolvidos), onde cada um partilha o respectivo saber (teórico e experimental), emerge um conhecimento colectivo superior ao da soma dos individuais (por mais brilhantes que sejam).

A utilização quotidiana das técnicas de partilha dos conhecimentos e experiências individuais de um grupo que interage entre si, requer planos de adopção junto das equipas. Moderadores preparados facilitam a gestão da mudança, sistematizando e acelerando estes mesmos processos colaborativos, que convergem na geração da inteligência colectiva.

Hoje, metodologias de gestão ágil como o scrum são mais adequadas a operações complexas, de elevada imprevisibilidade, com recurso a tecnologias emergentes, e onde se esperam entregas rápidas.

Esta técnica, que promove a comunicação entre a equipa, mostra que as soluções construídas ongoing e colectivamente entre todos os elementos da equipa conseguem resultados superiores face aos da gestão tradicional (que tipicamente recorre a um planeamento rígido, exaustivo, demorado e hierarquizado).

Outras metodologias, como o design thinking, visam a inovação através da resolução de problemas e da identificação de oportunidades de melhoria. Também este é um processo sistémico, colectivo e colaborativo, que começa na observação do dia-a-dia, passa pela geração de ideias de melhoria, e termina com testes através de provas de conceito. Aplica-se normalmente em situações em que se pretendem soluções específicas, personalizadas e de elevada qualidade.

Numa época em que muito se fala em inteligência artificial, acredito que a inovação e a diferenciação conseguem-se fundamentalmente através da inteligência humana, elevada à potência da colectividade. Porque mais do que programar algoritmos para interpretar variáveis, automatizar processos, e devolver resultados, o valor diferenciador advém da colaboração focada, em tempo e contexto específicos. Cada caso é um caso, e tem um momento próprio.

O recurso à inteligência colectiva empresarial (resultante da cooperação intra e entre equipas) é viável com lideranças descentralizadas, assentes em redes e, portanto, distantes das tradicionais estruturas hierarquizadas.

Líderes visionários, inspiradores e com elevada capacidade de mobilização e de agregação, deixarão estes processos de gestão da mudança a cargo das suas próprias equipas, multidisciplinares e competentes, aptas a compreender os desafios e as oportunidades. Elevam-se assim os níveis de compromisso, motivação e responsabilização do indivíduo e do grupo. Os resultados não tardarão a aparecer. E surpreenderão os mais cépticos.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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