Como o ‘machine learning’ utiliza os nossos dados

A forma com os computadores aprendem através dos dados não difere da aprendizagem humana. Com mais dados e maior capacidade computacional, o machine learning consegue auxiliar o ser humano a desempenhar tarefas em pouco tempo. Banca, saúde, gestão de recursos humanos são apenas algumas aplicações.

Cristina Bernardo

À semelhança do ser humano, os computadores também conseguem aprender. Com cada vez mais dados e um poder de computação maior, o conceito de machine learning pode ser entendido como “uma técnica de análise de dados que ensina aos computadores algo que é inato aos seres humanos e animais: aprender através da sua experiência”.

Esta foi a definição de machine learning que a Quidgest transmitiu na conferência Q-Day, que a empresa organiza anualmente e que se realizou na quinta-feira, na Culturgest. Com recurso à sua plataforma de modelação de software, o ‘Genio’, a Quidgest consegue fornecer às empresas de diversas áreas soluções informáticas em machine learning, desde as áreas da saúde, passando pela banca e recursos humanos.

Daniel Silva, coordenador da área de informação e de saúde na Quidgest, explicou que “os humanos sempre aprenderam com estímulos e de forma supervisionada, e é isso que os engenheiros tentam transportar para a máquina”. Além disso, disse que “a aprendizagem da máquina não é diferente da aprendizagem do ser humano, e faz-se também por estímulos e repetição”.

Jaime Magalhães, da Fundação de Ciência e Tecnologia (FCT) e orador convidado para a conferência, explicou como o machine learning está a ajudar a indústria farmacêutica a lançar medicamentos no mercado, num projeto desenvolvido para a Mello Saúde. “Na área de ensaios clínicos, a validação das drogas só é possível depois de testes em pacientes”, disse. “Mas a maior dificuldade reside no facto de encontrar pacientes que reúnam os critérios clínicos certos para os testes”. A solução partiu da utilização do machine learning, explicou. “Criámos uma base de dados com [o histórico clínico] dos pacientes para, em poucas horas, se fazer um match entre os pacientes e os critérios para os ensaios clínicos”.

Os dados que deixamos nas redes sociais também são usados pelo machine learning. Magalhães revelou que atualmente aquela tecnologia permite fazer opinion mining e market analysis. Consegue-se “analisar o que está na web sobre determinado produto, por exemplo, um filme, através de um algoritmo”, disse. E ilustrou com um caso curioso: “Concluiu-se que é negativo para a Disney ser associada a Miley Cyrus, mas já é positivo para Disney ser associada à Hannah Montana (papel desempenhado por Miley Cyrus)”.

Relacionadas

DevOps, o mundo por trás das atualizações dos nossos smartphones

Update no sistema operativo do iPhone ou Android? Fique a perceber o que está por trás das atualizações dos sistemas operativos dos nossos smartphones.

Como a tecnologia do ‘Candy Crush’ pode maximizar o potencial das empresas

O ‘Agile’ é uma metodologia de produção de software que cria valor do produto tecnológico mais cedo. Apesar de ainda não estar generalizada nas organizações, há uma app de sucesso foi criada pela ‘Agile’ e que os portugueses conhecem bem.

Genio vai funcionar como plataforma para as Provas de Aptidão Profissional de final de curso

A Rumos e a Quidgest estabeleceram uma parceria que visa a utilização da plataforma de modelação e geração automática de software, Genio, para a partilha de várias acções de desenvolvimento de conhecimento.

Fatura eletrónica. Quidgest e Saphety celebram parceria para as faturas da Administração Pública

As empresas prepararam uma oferta conjunta para dar resposta à obrigatoriedade legal de toda a Administração Pública passar a desmaterializar os processos de faturação até ao final de 2018.
Recomendadas

Teixeira dos Santos: “Não tenho razões para me arrepender” da escolha de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara

O Estado “nunca interferiu em qualquer operação” da Caixa Geral de Depósitos, garantiu ainda o ex-ministro das Finanças, na última comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão e recapitalização do banco público, que se realizou esta quarta-feira.

Apple considera mudar até 30% das operações da China para o Sudeste Asiático

A Índia e o Vietname são as opções cimeiras para a gigante tecnológica. A corretora Wedbush Securities sublinha que levaria pelo menos 2 a 3 anos a transferir 15% da produção de iPhones da China para outras regiões.

TAP concretiza maior operação em Bolsa desde 2012 no valor de 200 milhões de euros

A dona da companhia aérea nacional divulgou esta quarta-feira à tarde os resultados da oferta pública de subscrição das “Obrigações TAP 2019-2023”. O Jornal Económico sabe que a TAP quer captar mais 350 a 400 milhões de euros em futura abertura de capital.
Comentários