Como os sistemas de informação geográfica podem conter a pandemia nos centros comerciais

“Estamos já a trabalhar em soluções avançadas com Inteligência Artificial e análise de informação de sensores a pensar nos próximos cinco anos do retalho”, diz ao Jornal Económico o CEO da empresa que desenvolveu o dashboard da DGS para acompanhar a situação epidemiológica de Portugal.

A ESRI Portugal, que desenvolveu o dashboard da DGS para acompanhar a evolução da situação epidemiológica, considera que os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são hoje a solução tecnológica capaz de evitar o encerramento dos estabelecimentos comerciais.

Em entrevista ao Jornal Económico, o CEO da empresa de georreferenciação explica como os gestores pode, em tempo real, antecipar comportamentos, evitar multidões e impulsionar o consumo através da leitura demográfica da região. “Estamos já a trabalhar em soluções avançadas com Inteligência Artificial e análise de informação de sensores a pensar nos próximos cinco anos do retalho”, conta Rui Sabino.

Porque é que defendem que esta tecnologia poderia evitar o encerramento de shoppings?

Já se percebeu com a primeira vaga da Covid-19 que o retalho não pode fechar. Trabalhámos com todo o tipo de retalhistas na primeira vaga e sabemos que se numa segunda vaga acontecer um lockdown ele será mais localizado e só uma boa estratégia de gestão de informação geográfica fará a diferença. Conhecer o local de residência dos funcionários vai permitir redistribuir os funcionários por lojas se uma loja tiver uma cadeia de contágio ativa. Por outro lado, os retalhistas podem agir preventivamente, pois nem sempre os funcionários trabalham na loja mais próxima de casa. Por que não evitar deslocações longas, colocando o funcionário provisoriamente na loja mais próxima ou planear meios de transporte alternativos, estabelecendo rotas otimizadas? A gestão dos espaços interiores é fundamental para garantir o cumprimento das regras de saúde pública. Para um centro logístico pode ser garantida a segurança dos funcionários pela utilização de uma aplicação smartphone, funcionando como um trace Covid empresarial. Um centro comercial poder tirar partido de soluções de indoor mapping em tempo real, não só com o 3D do edifício, mas também com sensorização para a monitorização da entrada e saída das lojas. Desta forma mitigam-se cadeias de transmissão existentes dentro de um centro comercial ou de um complexo Logístico.

Como é que vê o comportamento dos consumidores nas grandes superfícies atualmente?

Esta é uma análise de cada um dos retalhistas. Quanto maior qualidade os dados tiverem e mais precisão tiverem na sua localização mais fácil é para o retalhista obter bons resultados, quer seja para garantir estratégias de marketing mais direcionadas e sustentáveis quer seja pela correta identificação da gama de produtos a ter disponível em cada uma das lojas. Há dados que as entidades precisam de ter acesso e que fazem a diferença, como por exemplo dados de mobilidade ou de novas aberturas de lojas da concorrência. Estes dados têm de ter estratégias de data monetization para garantir que os dados continuam a ser recolhidos e sejam úteis não só hoje, mas tenham uma continuidade no tempo. Por outro lado, o retalho hoje tem cada vez mais uma estratégia de omnicanal. Neste ponto é importante dizer-se que a localização dos clientes é fundamental para uma visão integrada do consumo dos clientes fidelizados e poder passar-se não só a comparar a quota de mercado com os concorrentes, mas também o rácio nas compras entre os diferentes canais. Por exemplo, uma tendência crescente na compra online, pode suportar a decisão de instalar uma dark store num bairro em Lisboa.

Em que centros comerciais portugueses está a vossa tecnologia?

As nossas soluções são utilizadas por 75% dos principais operadores de retalho em Portugal e temos desde diretores de loja a executivos de topo a tirarem partido das ferramentas que disponibilizamos. Hoje os nossos clientes têm aplicações que cabem na palma da mão ao mesmo tempo que podem ser utilizadas numa sala de operações ou numa reunião de tomada de decisão e orientações estratégicas. A informação é a mesma, os produtos de informação é que diferem. Estamos já a trabalhar em soluções avançadas com Inteligência Artificial e análise de informação de sensores a pensar nos próximos cinco anos do retalho. Numa altura em que já vivemos uma segunda vaga da Covid-19, as entidades pensam em como podem utilizar alguns produtos de informação geográfica para monitorizar o número de casos dentro das suas organizações e preverem mais cedo as ações necessárias.

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