Como serão os contratos sociais do futuro?

Todos vivemos e interagimos, ainda que sem nos apercebermos, no contexto de um contrato social que rege a forma como o mercado, o mundo do trabalho, o Estado e os cidadãos interagem de forma contínua e se relacionam.

Canary Wharf Business, Financial And Shopping District As Britons Are Worried About The Outlook For The Economy…Commuters walk past the JP Morgan, left, and Thomson Reuters Corp., right, buildings illuminated at night in the Canary Wharf business, financial and shopping district of London, U.K., on Wednesday, Oct. 28, 2015. In its monthly consumer confidence index, GfK said a measure of Britons’ outlook for the economy over the next 12 months dropped to minus 4 in October, the lowest reading this year. Photographer: Simon Dawson/Bloomberg

Um contrato social é o conjunto de acordos implícitos e explícitos que permitem que os cidadãos convivam numa sociedade civil, refletindo um entendimento comum quanto à forma de distribuir o poder e os recursos de modo a alcançar a justiça social. Estes acordos são dinâmicos, e procuram promover a estabilidade, equilibrando as relações entre cidadãos e governo, trabalhadores e empregadores, o individual e o coletivo.

Os contratos sociais estão atualmente sob uma enorme pressão. As desigualdades económicas estão a atingir níveis extremos, fruto das forças primárias da globalização e da evolução tecnológica. Crises como a dos refugiados e movimentos migratórios introduzem uma tensão adicional sobre estes contratos.

As novas ondas de disrupção podem levar os contratos sociais a um ponto de rutura. O futuro do trabalho e o aperfeiçoamento humano pode conduzir a uma deslocação massiva do trabalho e dos trabalhadores, e, sem medidas corretivas, estas tendências podem contribuir ainda mais para o incremento das desigualdades e levar os contratos sociais a um colapso.

Entretanto, as redes sociais estão a polarizar o discurso social. Ecos e opiniões online dificultam a existência de um terreno favorável à realização de acordos políticos que promovam a reforma dos contratos sociais.

Que impactos terão estas tendências nos contratos sociais do futuro?

Diferentes sociedades alcançarão soluções distintas, contudo, independentemente da forma que venha a ser adotada, quatro princípios deverão estar subjacentes aos contratos sociais do futuro:

– Os contratos sociais deverão ser inclusivos;

– Devem estar mais alinhados com interesses e comportamentos de longo prazo ao invés do curto prazo, permitindo responder aos desafios coletivos do futuro;

– Devem ser baseados no mercado e no setor privado;

– Os governos irão desempenhar um papel fundamental no realinhamento entre os interesses do setor privado e as necessidades de longo prazo da sociedade.

Para além dos quatro princípios acima mencionados, fatores como a democracia., desigualdade, educação, regulação e métricas, terão também de ser endereçados.

Na EY acreditamos no poder das perguntas, por isso terminamos com algumas questões para reflexão:

– Como irão cidadãos, governos e empresas estabelecer contratos sociais de longo prazo e mais inclusivos?

– Como irão as sociedades endereçar a desigualdade numa era de automação?

– Que responsabilidades terão as empresas de combater a desigualdade?

– Como medir e reportar o alinhamento com os objetivos e interesses de longo prazo?

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