Concessionária de bares de comboios da CP “não assegura salários de junho e julho”, avisa sindicato

Depois de mais uma reunião entre a estrutura sindical, a CP e a concessionária, no Ministério do Trabalho, a FESAHT adianta, em comunicado, que “a Risto Rail não assegurou o gozo de férias nos termos legais, não assegura o pagamento do salário de junho e julho e demais direitos aos 120 trabalhadores, alegando que a CP lhe deve dinheiro”.

A Federação dos Sindicatos da Hotelaria e Turismo (FESAHT) afirmou hoje que a Risto Rail, concessionária dos comboios de longo curso da CP, Alfa e Intercidades, “não assegura pagamento do salário de junho e julho” aos 120 trabalhadores.

Depois de mais uma reunião entre a estrutura sindical, a CP e a concessionária, no Ministério do Trabalho, a FESAHT adianta, em comunicado, que “a Risto Rail não assegurou o gozo de férias nos termos legais, não assegura o pagamento do salário de junho e julho e demais direitos aos 120 trabalhadores, alegando que a CP lhe deve dinheiro”.

A CP denunciou “o contrato de concessão do serviço de refeições com efeitos a 31 de julho de 2021”, e lançou um concurso que o sindicato diz “ter ficado deserto, sem concorrentes”. Por isso, a operadora lançou “novo concurso no passado dia 9 do corrente mês de junho”, lembrou a estrutura.

“Questionada pela FESAHT, a CP confirmou que o anterior concurso ficou deserto, que está a decorrer um novo concurso público para o serviço de refeições a bordo dos comboios Alfa Pendular e Intercidades” e “que a publicação no DR do dia 9 de junho ainda vai ser revista porque há lapsos, não assegurando a clarificação do futuro dos 120 postos de trabalho”, lê-se na mesma nota.

“Neste novo concurso”, garante a FESAHT “o caderno de encargos mantém a redução do número de trabalhadores nos comboios Alfa Pendular de três trabalhadores para um trabalhador por comboio” e a “redução drástica dos serviços, com a exclusão dos serviços de minibares ao lugar e de boas vindas na 1.ª classe”.

A Federação “manifestou o seu desagrado e o seu protesto, pois o novo caderno de encargos põe em causa o direito à saúde e segurança no trabalho e demais condições de trabalho, põe em causa a qualidade de serviço e, fundamentalmente, é um convite a dezenas de despedimentos”.

Com o novo processo, “a CP ainda oferece mais contrapartidas, passando a pagar 110 mil euros mensais a quem ficar com o serviço”, diz a entidade.

“A Risto Rail e a CP estão a criar um clima de grande pressão e de insegurança quanto aos salários e ao futuro dos postos de trabalho dos 120 trabalhadores e o Ministro das Infraestruturas continua a ‘assobiar para o lado’ recusando o diálogo com a FESAHT e os seus sindicatos”, lamenta a estrutura.

A FESAHT revelou ainda que “a Risto Rail declarou que vai cumprir os formalismos legais, transmitindo para a CP os vínculos laborais dos 120 trabalhadores com efeitos a 1 de agosto de 2021”, tendo ficado “agendada nova reunião no Ministério do Trabalho para dia 20 de julho”, adiantou.

A Lusa contactou a CP, mas ainda não teve resposta.

O serviço de bar nos comboios Alfa Pendular e Intercidades esteve suspenso entre 19 de março e 18 de agosto do ano passado, devido à pandemia, e voltou a encerrar em 15 de janeiro, com o novo confinamento.

De acordo com declarações à Lusa do dirigente da FESAHT, Francisco Figueiredo, a suspensão do serviço no ano passado levou a que a CP deixasse de pagar uma mensalidade de perto de 120 mil euros à prestadora daquele serviço, a Risto Rail, do grupo LSG/Lufhansa.

Segundo o mesmo responsável, numa reunião ocorrida no ano passado entre os sindicatos e a Risto Rail, a empresa do grupo alemão disse que não colocaria em Portugal “nem mais um cêntimo”.

A empresa do grupo Lufthansa tem cerca de 120 funcionários a trabalhar nos bares dos comboios Alfa e Intercidades.

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