Conde Draghila: Jornal alemão critica presidente do BCE por “sugar” as poupanças dos alemães

O ministro das Finanças alemão ainda veio a público por água na fervura e garantir que as consequências não são tão negativas para as poupanças dos alemães, mas o jornal tablóide não tem dúvidas. “O conde Draghila está a sugar as nossas contas”, escreveu o Bild.

Um dia depois de ter anunciado o corte nas taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) para território negativo, um dos principais jornais alemães, o Bild, aproveitou para comparar Mário Draghi ao conde Drácula.

O jornal tablóide afirma que o presidente do BCE está, com esta medida, a “sugar” as contas-poupança de milhares de cidadãos alemães, segundo a Reuters.

“O conde Draghila está a sugar as nossas contas. Continua o horror para as poupanças dos alemães”, escreve o jornal mais lido da Alemanha com vendas de 1,5 milhões de cópias por dia.

Com o objetivo de recomeçar a atividade económica dez anos depois da crise que afetou a zona Euro, o BCE anunciou na quinta-feira dia 12 de setembro, várias medidas onde se destaca um corte de dez pontos base na taxa de depósito, ficando portanto nos -0,50%.

O incentivo que superou as expectativas causou preocupação nos alemães mais sépticos, que acusam o BCE de durante vários anos manter as taxas de juro em valores “demasiado” baixos, o que os impede de ter um retorno maior.

Olaf Scholz, ministro das finanças alemão, tentou através de um discurso dirigido aos donos de poupanças acalmá-los, afirmando que “a maioria dos contratos que as pessoas têm com os seus bancos não permite que se apliquem este tipo de taxas de juro, portanto, o problema não é grave. As administrações dos bancos são suficientemente inteligentes para saber as consequências de aplicar este tipo de taxas de juro”.

Ainda assim, um dos membros do conselho do Banco Central Alemão, o Bundesbank, afirmou num tom um pouco diferente que “os bancos poderão brevemente começar a reestruturar a forma como aplicam as baixas taxas de juro aos seus clientes”, disse Joachim Wuermeling à Focus magazine, citado pela Reuters.

O responsável apontou a possibilidade dos bancos começarem a cobrar comissões mais elevadas e a ponderar a introdução de taxas de juro negativas. “Pode ser necessário, de um ponto de vista de negócio e de supervisão bancária”.

Há muito tempo que os alemães olham para o Bundesbank como uma espécie de “porto seguro” e como uma das entidades que garante a estabilidade monetária, segundo a Reuters.

Esta não é a primeira vez que o presidente do BCE é visado pelo Jornal ‘Bild’, durante a crise da zona Euro o jornal alemão aproveitou para entregar um presente a Draghi, desta feita um capacete prusso com o propósito de estimular a confiança do presidente do BCE fazendo referência ao estilo de disciplina alemã.

 

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