Confederações empresariais apelam à “rápida” ratificação do acordo UE-Mercosul

Para as confederações empresariais da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e BusinessEurope, o atraso na assinatura deste acordo pode pôr em causa o aproveitamento das oportunidades proporcionadas às economias e sociedades envolvidas.

As confederações empresariais da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e a BusinessEurope (Confederação de Empresas Europeias) apelaram esta quinta-feira à “rápida” ratificação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, comprometendo-se a trabalhar com as autoridades dos diferentes países para que tal aconteça.

Para estas cinco entidades, o atraso na assinatura deste acordo – que foi alcançado a 28 de junho de 2019 e prevê a liberalização do mercado (com algumas exceções) – pode pôr em causa o aproveitamento das oportunidades proporcionadas às economias e sociedades envolvidas. “É de importância crucial não apenas por razões estratégicas e económicas, mas também do ponto de vista da sustentabilidade”, referem, numa declaração conjunta, divulgada por iniciativa da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

Tanto o Mercosul como a União Europeia são mercados de grande dimensão e têm uma longa tradição de comércio e investimento. No entanto, o enorme potencial da relação económica é atualmente prejudicado por um elevado número de picos tarifários, procedimentos alfandegários, requisitos de ensaios e de certificação. A cooperação regulatória é fundamental neste processo e deve ser tratada como tal. O acordo abre novas oportunidades e possibilita um maior acesso por parte das pequenas e médias empresas – Confederações

Para o presidente da BusinessEurope, Pierre Gattaz, “construir laços comerciais e de investimento mais fortes permite-nos criar oportunidades, mas também superar os desafios que agora nos são colocados”. “Este acordo levou 20 anos para ser feito. Vamos certificar-nos de para que seja ratificado rapidamente, porque não podemos esperar mais 20 anos”, alertou.

“O acordo é estratégico para integrar duas das maiores regiões económicas do ocidente. A retirada gradual das barreiras comerciais, que hoje atingem 65% do nosso comércio, permitirá a adaptação competitiva dos dois lados, e ao mesmo tempo estimulará o comércio e investimentos. Por isso, os setores privados dos dois lados precisam liderar o apoio à implementação”, completou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (Brasil), Robson Braga de Andrade, que reiterou que tanto o Mercosul como os Estados-membros têm o compromisso de respeitar “estritamente” o Acordo de Paris.

Na opinião do presidente da CIP, concretizar este acordo fará com que as regiões possam “ultrapassar as dificuldades que estamos a atravessar, mas também a projetar o futuro além da pandemia”. “Estou certo de que este acordo será uma prioridade para a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que conta com o empenho das confederações empresariais para o tornar realidade”, disse António Saraiva, que esteve em contacto com os seus homólogos no âmbito da preparação para a presidência portuguesa do Conselho da UE.

Há dois elementos essenciais neste acordo, segundo as instituições europeias: a indústria e o sector agroalimentar. O objetivo é estimular exportações de produtos europeus que têm estado sujeitos a elevados direitos e, por vezes, até proibitivos. Aqui se incluem veículos automóveis (35%), componentes automóveis (14-18%), máquinas (14-20%), produtos químicos (até 18%), produtos farmacêuticos (até 14%), vestuário e calçado (35%) ou tecidos de malha (26%).

Prevê-se ainda a redução dos direitos aduaneiros aplicáveis a chocolates e produtos de confeitaria (20%), vinhos (27 %), bebidas espirituosas (20 a 3 %) e refrigerantes (20 a 35%), bem como isenção de direitos sujeitos a contingentes pautais para os laticínios, como queijos.

Ler mais
Relacionadas

“Canadá foi o mercado de exportações que mais cresceu”, revela secretário de Estado da Internacionalização

Há “muito trabalho a fazer com o Japão, com o México e com o Vietnam e temos de continuar a batermo-nos por um acordo com o Mercosul, que vai abrir um conjunto fantástico de oportunidades às empresas portuguesas”, referiu o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, a propósito do desenvolvimento dos mercados de destino das exportações portuguesas.

Argentina quer continuar nas negociações do Mercosul, mas num ritmo diferente

A Argentina recuou da decisão de abandonar completamente as negociações do Mercosul com outros países e pede agora a Brasil, Paraguai e Uruguai para negociar numa velocidade menor, entrando nos acordos depois dos demais membros do bloco sul-americano.

Acordo UE-Mercosul sem “impactos significativos” para carne dos Açores

O setor da carne dos Açores “não deverá sofrer impactos significativos” com o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul que prevê a liberalização dos mercados, conclui um estudo encomendado pelo Governo Regional.
Recomendadas

Propostas dos operadores superam os 194 milhões de euros no quinto dia da licitação principal do leilão do 5G

Em leilão estão faixas dos dos 700 MHz, 900 MHz, 2,1 GHz, 2,6 GHz e 3,6 GHz. No conjunto dos mais de 50 lotes em concurso, o preço base total é de 195,9 milhões. Esta quarta-feira, sete lotes viram o seu preço base aumentar.

Sindicatos da TAP foram avisados de que BE ia propor auditoria à gestão de Neeleman

A auditoria proposta pelo Bloco de Esquerda não será viabilizada no Parlamento. O projeto de resolução entregue pelo BE a recomendar ao Governo uma auditoria à gestão privada da TAP, não chegará a qualquer conclusão no sentido de saber quais são as efetivas responsabilidades do empresário David Neeleman na gestão da TAP e na situação financeira em que a companhia aérea se encontra.

AHRESP defende revogação da medida que proíbe venda de bebidas em ‘take-away’

A associação refere que a medida “apenas vai prejudicar a já difícil situação dos estabelecimentos”. A AHRESP acrescenta que “o que se quer prevenir é o consumo de produtos à porta do estabelecimento ou nas suas imediações, e não a venda”.
Comentários