Lisboa acolhe conferência sobre o papel da escola na construção de um mundo mais justo

Conferência “Building a World of Justice and Solidarity: Global Education in the School System” realiza-se esta sexta-feira, no Museu do Oriente, em Lisboa. Luísa Teotónio Pereira antecipa que o Plano de Ação da Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (2018-2022) será assinado durante a conferência pelas 16 entidades que o elaboraram.

“Educação global é a educação que abre os olhos e as mentes das pessoas para as realidades do mundo e as desperta para criarem um mundo com mais justiça, equidade e direitos humanos para todos”. É assim que a Declaração de Maastricht sobre educação global, de 2002, define aquele que será o tema principal da conferência “Building a World of Justice and Solidarity: Global Education in the School System”, que se realizará esta sexta-feira, no Museu do Oriente, em Lisboa.

Com um painel de especialistas internacionais, que abrange decisores políticos, educadores e investigadores de vários países europeus, Lisboa será palco de um debate sobre de que forma pode o sistema escolar contribuir para um mundo justo e solidário.

Em declarações ao Jornal Económico, a diretora do GENE – Global Education Network Europe, Luísa Teotónio Pereira, explica como a educação está a mudar em resposta aos desafios atuais e antecipa que o Plano de Ação da Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (2018-2022) será assinado durante a conferência pelas 16 entidades que o elaboraram.

Como surgiu esta conferência?
Esta é uma conferência internacional sobre uma questão que nos interessa a todos: como pode o sistema escolar contribuir para a construção de um mundo justo e solidário? Na perspetiva de muitos educadores, e de muitas instituições a nível nacional e internacional, e citando uma das conclusões de um seminário realizado na Finlândia em 2012, “a Educação deve colocar a educação global no coração da aprendizagem, se a quisermos considerar uma educação de qualidade”. Em Portugal utilizamos mais o conceito de “educação para o desenvolvimento”, ao mesmo tempo que se vai alargando, tal como noutros países em todo o mundo, a ideia de “educação para a cidadania global”.

O que é que na prática isso significa?
Como podemos aprender na escola a compreender o mundo em que vivemos, desde o nosso contexto mais próximo, até ao que se passa longe mas está ligado com a nossa realidade, para que possamos viver melhor. A conferência surgiu de um conjunto de vontades que se constituiram em instituições co-organizadoras: o GENE – Global Education Network Europe, o Camões-Instituto da Cooperação e da Língua, e a Direção-Geral da Educação, em parceria com a UNESCO e com o apoio da Comissão Europeia.

Qual é o principal objectivo e quais são as expectativas?
A ideia é juntar responsáveis políticos, educadores e educadoras, investigadores e organizações da sociedade civil com experiência na área da educação global, para refletir sobre os sistemas educativos que temos, e os que queremos ter. Há muitas coisa a mudar no mundo da educação, em resposta aos desafios sociais com que nos confrontamos, nomeadamente na Europa, mas também ao nível mundial e pretendemos partilhar experiências, perceber o que está a acontecer, debater em que direção gostariamos de ir. Para colocar a educação global, a educação para o desenvolvimento, no coração dos sistemas formais de ensino.

Quais serão os principais temas abordados?
Temos um programa muito interessante: o foco vai ser a discussão em grupos de trabalho sobre 14 temas que nos permitem sair das generalidades, ir ao concreto: desde a integração da educação global nos curricula nacionais, a formação de professores/as, a mudança da cultura escolar e a importância das vozes dos alunos e alunas, a educação global nas instituições de ensino superior e na investigação, o que podemos aprender com os e as migrantes na escola e com colegas (docentes e alunos/as) de outros países e continentes, até às relações da escola com a comunidade e à cooperação entre diferentes estruturas, dentro e fora da escola. Penso que vamos reunir muita informação sobre o que se está a fazer e sobre ideias para o futuro.

De que forma é que a educação poderá contribuir para a consolidação da democracia?
A escola sozinha não é uma resposta, por isso diz bem, contribuir. A nosso ver, educadores e estudantes que compreendem o mundo complexo no qual vivemos, que ganham gosto em pensar sobre as coisas, em procurar informação de qualidade, em discutir com outras pessoas, em agir, pessoal e coletivamente, para o bem comum, estão já a reforçar a democracia. E o que é a democracia, como se alcança e fortalece, em cada situação, passa a fazer parte da vida de cada pessoa e de cada comunidade. A escola pode incentivar, criar condições de encontro, de debate, de procura de soluções. Adultos e jovens passam tanto tempo na escola, desde a pré-primária até à universidade! É uma responsabilidade e um bom desafio.

Qual pode ser a importância desta conferência se realizar em Portugal?

O nosso país tem sido reconhecido internacionalmente nesta área da Educação Global. Há poucos meses o Conselho de Ministros aprovou a segunda Estratégia Nacional de Educação para o Desenvolvimento (2018-2022). O respetivo Plano de Ação vai ser assinado pelas 16 entidades que o elaboraram em conjunto durante a Conferência. Vai ser um momento simbólico muito importante. Portugal foi também escolhido para dar um testemunho sobre dois dos temas: a integração da Educação Global no curriculum e a voz dos alunos e alunas na escola. Como a participação portuguesa vai ser mais numerosa do que a de pessoas vindas dos outros 30 países, esperamos que o impacto da conferência seja significativo.

 

Ler mais
Recomendadas

Governo chama professores à mesa das negociações

Dia 25 de fevereiro é a data fixada pelo governo para voltar a negociar com os sindicatos. “Só espero que desta vez corresponda às expectativas dos professores e dos educadores”, afirmou Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente dos Professores e Educadores, ao Jornal Económico.

Força Aérea tem dois novos helicópteros. Nenhum deles vai combater incêndios

Estas aeronaves “não fazem parte” do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), apesar de poderem atuar “numa situação de emergência”, dado que a sua “função primordial é servir nas múltiplas missões que a FAP tem”, afirmou João Gomes Cravinho.

Polémica em França: Escolas vão substituir “pai” e “mãe” por “responsável 1” e “responsável 2”

Os defensores da mudança dizem que vai impedir a discriminação contra pais do mesmo sexo, mas os críticos argumentam que esta nova fórmula “desumaniza” a paternidade.
Comentários