Conferência do Best. Firmino Morgado defende investimento em empresas com dividendo crescente

O poder do crescimento dos dividendos, foi o tema de Firmino Morgado, da Man GLG. Já Ricardo Seixas, Fidentiis Gestion falou sobre “como encontrar o valor de uma empresa”. A conferência do Best foi subordinada ao tema “Duas abordagens para investir em Ações”.

O Best organizou uma conferência subordinada ao tema “Duas abordagens para investir em Ações”, no Museu do Oriente, em Lisboa. Valor da empresa ou dividendos? Na hora de escolher as ações, qual é a sua estratégia? Estas e outras questões foram debatidas por especialistas na gestão de fundos de ações no mercado ibérico e europeu.

Na moderação esteve Carlos Almeida, do Best, e no painel a falar do poder do crescimento dos dividendos, Firmino Morgado, da Man GLG. Já Ricardo Seixas, Fidentiis Gestion falou sobre “como encontrar o valor de uma empresa”.

Firmino Morgado explicou que a valorização das ações não é a variável mais importante no investimento em ações. O que interessa é o um dividendo crescente. Esse é que é garantia de que o investimento em ações vale a pena para um investidor institucional. Mas para isso ser verdade o dividendo tem de ser reinvestido no mercado.

Firmino Morgado falou ainda das saga das taxas negativas do BCE. A este propósito citou o caso de emissões de dívida de empresas no mercado primário a taxas negativas, e de como essa prática não é sustentável a longo prazo. Do mesmo modo que empresas muito alavancadas conseguem hoje reestruturar dívida a taxas muito baixas. Citou o caso da Altice que reestruturou a sua dívida a um prazo de seis anos ou oito anos, a uma taxa de juro de 3,5%. Porquê? Porque os investidores institucionais deparam-se hoje com um problema: “Where do I find yield?”, disse.

“Investir em empresas com dividendo crescente tem sempre lugar em qualquer portfólio”, disse Firmino Morgado que em 2017 integrou a equipa de investimento em ações europeias da Man GLG, na área de gestão de fundos, mas que passou pela Goldman Sachs.

O gestor citou o caso da Vinci que é um dos investimentos do fundo que gere e que lhe dá um elevado ‘dividend yield’. Firmino Morgado aproveitou ainda para criticar a venda da ANA à Vinci, por um equity value de 1,3 mil milhões de euros (sem dívida). “Foi o melhor negócio da Vinci”, disse o gestor, que defendeu que o Estado devia ter vendido a ANA na bolsa, mantendo o Estado o controle.

Este fundo da Man GLG também investiu num setor maldito: a banca. Mais precisamente no Banco Intesa San Paolo, e esse investimento tem um dos melhores dividend yield (cerca de 9%), disse. Firmino Morgado defendeu que quando o BCE acabar com a política dos juros baixos, o investimento no Intesa vai ainda valorizar.

Depois foi a vez de Ricardo Seixas, que esteve no Banco Privado, e que também alinhou pela “antipatia” pelo setor financeiro na óptica do investimento dos fundos.

Na sua apresentação Ricardo Seixas disse que “quando procuramos valor numa empresa cotada para inclusão em carteira importa definir o prazo e o risco a que essa carteira investe”. A curto prazo são mais os “técnicos da ação e a longo prazo serão mais os fundamentais da empresa  (macro e micro)”, explicou o gestor do Fidentiis.

Que tipo de variáveis são tidas em conta nos investimentos? Growth; value; momentum; quality; risk e size (large, mid ou small cap).

Já Firmino Morgado tinha falado dos investidores growth versus investidores value. Referindo-se a investidores que apostam no crescimento dos dividendos em detrimento da valorização em bolsa.

De forma simplificada, enquanto o foco do value investing é encontrar empresas a preços “promocionais”, o growth investing defende que se dê preferência a empresas que estão sendo negociadas com preços superiores ao seu valor intrínseco, mas que têm potencial de exceder exponencialmente seu atual valor de mercado.

Durante um ciclo económico há que adaptar os critérios de análise fundamental micro/sectorial à realidade macro, defendeu Ricardo Seixas.

O gestor da Fidentiis Gestion é apologista do acompanhamento exaustivo do contexto que pode afetar os múltiplos com que trabalham. Incluindo o contacto com os CFO das empresas. Para haver maior coerência entre projeções e estratégia da empresa.

O crescimento económico é nos Estados Unidos e na China, “a Europa está a perder o comboio”, disse por sua vez Firmino Morgado.

O gestor citou o caso do 5G que vai ser uma revolução industrial porque vai permitir os carros autónomos. “Trump não é tonto. O que ele está é a pedir às empresas europeias que desenvolvam uma tecnologia melhor que a da Huawei”, disse o gestor que lembrou que a Europa está a desperdiçar oportunidades de investimento.

Firmino Morgado elegeu no debate de hoje a Jerónimo Martins como a melhor portuguesa, sobretudo pelo que conseguiram fazer na Polónia.

Depois citou também um outro bom exemplo, mas com pouca liquidez, a Corticeira Amorim.

Ler mais
Recomendadas

Wall Street arranca em alta em mais um dia de contas trimestrais

A época de resultados está a animar a bolsa de Nova Iorque. Em termos macroeconómicos, hoje é divulgada a evolução das vendas de casas usadas em setembro nos EUA.

PSI 20 em alta contraria Europa com Galp Energia a disparar mais de 2,5%

A Galp lidera os ganhos depois de ter anunciado que pretende aumentar anualmente os dividendos em 10% ao longo dos três próximos anos.

Wall Street em alta contagiada pelo otimismo em torno das negociações entre EUA e China

A impulsionar as ações americanas esteve, em parte, uma entrevista dada pelo principal conselheiro económico do Presidente Trump, Larry Kudlow, que referiu que a parte final da primeira fase do processo negocial com a China “está a correr bem”. Larry Kudlow adiantou ainda que a imposição de novas tarifas sobre produtos chineses, agendada para dia 15 de dezembro, poderá ser suspensa.
Comentários