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Confiança e responsabilidade: as bases do crescimento financeiro sustentável

As crises financeiras não nascem apenas de erros económicos: a perda de confiança faz sempre parte do processo.
Pavlina Borovkova, Diretora Financeira e Jurídica da Cofidis Portugal
29 Setembro 2025, 14h27

Muitas vezes, há primeiro uma falha de gestão, na regulação ou na comunicação, que desencadeia a própria crise, e só depois é que clientes e empresas começam a perder confiança. Mas pode também acontecer o contrário: a simples perda de confiança pode gerar uma crise, porque todo o sistema depende dela. Um exemplo típico é quando as pessoas deixam de acreditar na solidez de um banco e começam a levantar os depósitos em massa, o que pode levar ao colapso mesmo de uma instituição saudável. Seja qual for a causa, o impacto não se mede apenas em euros, mas sobretudo no enfraquecimento da desconfiança que pode minar todo o setor.

O futuro das instituições financeiras depende da capacidade de conjugar três dimensões: ser competitivas e alcançar os resultados sustentáveis a longo prazo, agir em conformidade com o quadro regulamentar que define a sua atividade, e em simultâneo, ter um impacto social positivo. Se uma destas dimensões falhar, a equação deixa de ser sustentável.

O crédito tem um efeito particularmente transformador. Bem concedido, torna se um meio que abre às pessoas e às empresas a possibilidade de concretizar os seus projetos e investir no futuro. Mal concedido, torna-se fonte de fragilidade que rapidamente se alastra à economia e mina a confiança na banca e nas instituições financeiras. Esta fronteira frágil entre oportunidade e risco exige não apenas um cumprimento das regras, mas sobretudo um compromisso ético e a assunção de responsabilidade pelos impactos de longo prazo das decisões.

Em toda a Europa, é visível que as exigências dos consumidores estão a aumentar. Já não basta oferecer produtos financeiros: as instituições têm de comunicar de forma clara, explicar as condições em linguagem simples e assumir responsabilidade pelo impacto das decisões. Ao mesmo tempo, é fundamental que também os consumidores assumam os seus compromissos com responsabilidade e consciência. O setor financeiro deixou assim de ser apenas transacional e tornou-se cada vez mais relacional. A confiança só pode ser douradora se for construída em ambas as direções: entre instituição e cliente.

A educação financeira é a base para construir esta confiança mútua. A União Europeia tem feito esforços para aproximar os cidadãos das finanças de forma mais clara e transparente, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Sem literacia financeira, os clientes não conseguem compreender devidamente os seus compromissos nem tomar as decisões responsáveis. E sem instituições que comuniquem de forma aberta e compreensível, não existe verdadeira igualdade de oportunidades.  A confiança nasce, por isso, de um esforço partilhado: informar e ser informado, explicar e compreender.

A sustentabilidade deve ser entendida como a capacidade de alcançar os resultados equilibrados e duradouros, que conjuguem o desempenho económico com o respeito pelas pessoas e pela sociedade. Significa gerir riscos com rigor, mas também antecipar impactos e assumir a responsabilidade pelo futuro que estamos a construir em conjunto.

O setor financeiro tem hoje uma oportunidade única: ser visto não como parte do problema, mas como parte da solução. Isso exige coragem para desafiar práticas antigas, investir em transparência e colocar o cliente no centro de todas as decisões. Não se trata apenas de reputação, mas de resiliência e da capacidade de criar um futuro sustentável.

A confiança é o maior ativo que uma instituição financeira pode ter. Tal como um balanço saudável, exige consistência, disciplina e responsabilidade. O futuro das finanças só poderá ser sustentável se for construído em conjunto, por instituições e clientes, com base nesta confiança e responsabilidade mútuas.

Na Cofidis, acreditamos que é precisamente este equilibro entre responsabilidade económica e respeito pelas pessoas que orienta cada decisão. O crédito só cumpre o seu verdadeiro propósito quando melhora a vida das pessoas. É por isso que, todos os dias, procuramos concretizar a nossa visão de umas finanças baseadas na confiança: de pessoas para pessoas.

Este artigo é da autoria da Cofidis.


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