O Fórum para a Competitividade alerta, na sua nota de conjuntura de fevereiro, que o recente ataque dos EUA e de Israel ao Irão, ocorrido a 28 de fevereiro, desencadeou o conflito internacional mais grave desde a invasão da Ucrânia, com consequências imediatas na economia global e nacional.
Este choque geopolítico, que já fez disparar o preço do gás natural em 70% e o do petróleo em 20%, soma-se ao impacto severo de tempestades em Portugal, cujos prejuízos estimados de 6 mil milhões de euros ameaçam o clima económico e a confiança dos consumidores num momento de desaceleração do PIB.
“Os prejuízos das tempestades poderão ascender a 6 mil milhões de euros (2% do PIB) e mais de metade das empresas da zona terão sido afectadas”. lê-se na nota.
A este quadro somam-se os efeitos das intempéries, que afetaram mais de metade das empresas nas zonas afetadas pelo comboio de tempestades, contribuindo para uma quebra de confiança que só não foi mais profunda devido a uma ligeira recuperação técnica no clima económico em fevereiro.
Assim, o Fórum considera que o PIB de 2026 deverá receber o impacto das tempestades e do conflito no Médio Oriente, cujo âmbito geográfico ainda nem sequer está delimitado. Recorde-se que o Orçamento de Estado para este ano tem inscrito um crescimento do PIB de 2,3%, a mesma previsão tem o Banco de Portugal. A OCDE prevê 2,2%.
“As tempestades terão tido um impacto negativo sobretudo no 1º trimestre, com a redução da produção nas zonas afectadas e redução de vendas do resto do território, mas poderão conhecer alguma recuperação, sobretudo devido às actividades de reconstrução e reparação dos danos físicos”, lê- na nota.
O PIB acelerou em cadeia no 4º trimestre, de 0,6% para 0,9%, enquanto em termos homólogos desacelerou de 2,2% para 1,9%, sobretudo devido ao consumo privado. Em termos anuais também se registou uma desaceleração, de 2,2% (revisto em alta de 2,1%) em 2024 para 1,9% em 2025, realçam os economistas.
Os economistas do Fórum destacam ainda que no plano interno, as exportações de bens também deram sinais de desgaste registando um crescimento marginal de apenas 0,5% em 2025 e recuando em peso no PIB para os 45,8%, o que afasta o país da meta estratégica dos 50%.
Apesar dos ventos contrários, a economia portuguesa apresenta pilares de resiliência significativos. O mercado de trabalho mantém uma robustez notável, com a taxa de desemprego estabilizada em 5,8% — um dos valores mais baixos da história recente — e o emprego a crescer 3,7% no 4º trimestre. ” A população activa abrandou o seu crescimento, mas ainda expressivo, enquanto o emprego conseguiu manter a sua muito elevada taxa de expansão (3,7%)”, refere a nota.
Simultaneamente, Portugal registou uma melhoria histórica na sua Posição de Investimento Internacional, que atingiu o rácio menos negativo desde 2001 (-50,3% do PIB).
Adicionalmente, o investimento superou finalmente os máximos de há duas décadas, sugerindo que, apesar das crises externas e climáticas, a estrutura financeira do país está mais sólida para enfrentar a volatilidade que se avizinha.
Por cá há ainda a destacar que em Janeiro, a prestação do crédito à habitação deixou de cair em termos homólogos, enquanto a taxa de juro média voltou a baixar, de 3,13% para 3,11%, após a estabilização do mês anterior.
O cenário internacional é dominado por incertezas críticas, que vão desde a duração do conflito no Médio Oriente até à possível disrupção no fornecimento de matérias-primas.
Em relação à crise no Irão, há um conjunto de incógnitas para estimar o seu impacto económico, defende o Fórum, que elenca a “subida dos preços do petróleo e gás natural; o eventual bloqueio das quantidades; a duração do conflito; e o impacto sobre os nossos parceiros”.
Embora os mercados financeiros e as taxas Euribor sinalizem a expectativa de um conflito de curta duração, as ramificações são vastas, afetando as rotas aéreas, o turismo e as decisões de política monetária.
Para Portugal, este clima de instabilidade surge após um ano de 2025 marcado pela perda de fôlego económico, com o crescimento anual a fixar-se nos 1,9%, abaixo dos 2,2% registados no ano anterior, penalizado sobretudo pelo abrandamento do consumo privado.
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