[weglot_switcher]

Conflito no Médio Oriente ameaça resiliência económica e pode ditar recessão na Europa, segundo Generali AM

A escalada das tensões geopolíticas com o Irão está a ensombrar as perspetivas dos mercados. Michele Morganti, da Generali AM, alerta para o risco de estagflação e para o impacto nas decisões da Fed e do BCE.
Irão Guerra
EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
16 Março 2026, 20h29

O otimismo que tem pautado os mercados financeiros nos últimos meses enfrenta agora um teste de stress geopolítico. Segundo uma análise de Michele Morganti, estrategista sénior de ações na Generali AM, uma prolongada intensificação do conflito no Médio Oriente — particularmente envolvendo o Irão — tem o potencial de interromper a recuperação global e empurrar a Zona Euro para uma “ligeira recessão”.

A análise destaca que a vulnerabilidade da Europa e da Ásia reside na elevada dependência das importações de energia. Caso o conflito se prolongue, o choque nos preços do petróleo e do gás poderá desencadear um cenário de estagflação: crescimento estagnado com inflação persistente.

Morganti sublinha a dificuldade de um cessar-fogo a curto prazo, dado que o Irão deverá exigir “concessões consideráveis”, tornando o equilíbrio geopolítico extremamente frágil.

A divergência entre o cenário base e o cenário de crise reflete-se diretamente na política monetária. Assim, no cenário base a expectativa é que a Reserva Federal (Fed) avance com cortes de juros ainda este ano, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) deverá manter as taxas inalteradas, ignorando picos temporários de inflação.

Num cenário de escalada, que se verificará numa crise prolongada, a pressão inflacionista poderá forçar uma inversão de marcha, com o BCE a poder subir as taxas até 50 pb e a Fed até 25 pb até ao final de 2026.

Apesar do aumento da incerteza, a Generali AM nota que a economia global está hoje melhor preparada do que em 2022, com bancos centrais já em terreno neutro. No entanto, o conselho é de cautela.

A gestora mantém uma posição defensiva na duração dos títulos soberanos e uma “leve sobreponderação” em ações, privilegiando setores defensivos e ativos que sirvam de proteção contra a inflação, enquanto o crédito líquido continua a mostrar sinais de resiliência perante a volatilidade.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.