A sede da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em Lisboa, acolheu esta segunda-feira a sessão solene que assinala o arranque da Semana da Formação Financeira 2026.
Num evento que coincide, pelo segundo ano consecutivo, com a Global Money Week da OCDE, o presidente da CMVM, Luís Laginha de Sousa, destacou a importância de dotar os jovens de ferramentas críticas para decidirem com autonomia num mundo dominado por algoritmos e incerteza.
Na abertura do evento, o presidente da CMVM, Luís Laginha de Sousa, deixou três mensagens principais centradas na importância da literacia financeira num mundo cada vez mais complexo e incerto.
Numa plateia onde estacva o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, o Presidente da ASF, Gabriel Bernardino, e os membros do Steering Committee do Plano Nacional de Formação Financeira (PNFF), Laginha de Sousa destacou o papel crucial das escolas, professores, alunos e do Concurso Todos Contam, que este ano celebra a sua 14.ª edição.
O responsável da entidade reguladora dos mercados estabeleceu um paralelo humorístico entre a política monetária e o uso excessivo de palavras: tal como a emissão descontrolada de moeda pode gerar inflação sem criar valor real, o excesso de discurso pode diluir as mensagens em vez de as reforçar.
Laginha de Sousa centrou o seu discurso no valor do conhecimento como o único caminho sólido para a criação de riqueza. Num tom pragmático, o presidente da CMVM alertou que, embora o futuro seja imprevisível, a via mais segura para o bem-estar financeiro continua a ser a poupança e o investimento consistente, em detrimento de “ganhos rápidos” que beneficiam apenas quem os organiza.
Numa reflexão sobre o futuro e as escolhas financeiras, Laginha de Sousa sublinhou que, apesar dos avanços tecnológicos, o futuro permanece imprevisível. No entanto, algumas realidades são praticamente certas: os ganhos rápidos via jogos de azar continuarão a beneficiar, em média, apenas os organizadores; a via mais sólida para aumentar rendimento e riqueza passa por decisões consistentes de poupança e investimento; o conhecimento (e não apenas o acesso a informação) será cada vez mais decisivo para fazer boas escolhas; e a capacidade de decidir autonomamente — sem ser dominado por terceiros ou por algoritmos — deve ser preservada.
Nesse contexto, o presidente da CMVM reforçou o papel insubstituível das escolas e dos professores na disseminação e consolidação desse conhecimento, algo que, na realidade portuguesa, continua a surpreender positivamente pela sua relevância e impacto.
O presidente da CMVM aproveitou a ocasião para partilhar uma experiência pessoal recente em Setúbal, onde lecionou uma aula sobre poupança, para reforçar a convicção de que as escolas são o meio privilegiado para transformar a sociedade. “O conhecimento será cada vez mais decisivo para fazer boas escolhas”, afirmou, sublinhando que a capacidade de decidir sem ser dominado por terceiros é um ativo essencial na atualidade.
Dirigindo-se diretamente aos docentes, Laginha de Sousa deixou um apelo ao continuado esforço na formação dos alunos, classificando o trabalho das escolas como “insubstituível”. Para o regulador, a literacia financeira não é apenas uma questão individual, mas um motor para a evolução do país, resultando da “soma e multiplicação de milhões de decisões individuais”.
O evento marcou ainda a 14.ª edição do Concurso Todos Contam, celebrando o empenho das comunidades educativas que participam no Plano Nacional de Formação Financeira. A Semana da Formação Financeira decorre até ao próximo dia 22 de março, com diversas atividades de sensibilização agendadas de norte a sul do país.
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