Conquista do Euro 2016 revolucionou a forma como se formam jogadores

Com 11 jogadores formados no Sporting, a aposta nas academias ficou bem evidente, e esse fator seria determinante nos anos que se seguiram à conquista. FC Porto e SL Benfica reforçaram a aposta nas suas academias, e desde então temos assistido a uma completa revolução na maneira como são construídos os plantéis do campeonato português.

Foi no dia 10 de julho de 2016 que a Seleção Nacional se sagrou, pela primeira vez, campeã da Europa de futebol. As repercussões para o futebol português são mais do que evidentes, com a aposta na formação a tornar-se na principal estratégia dos clubes portugueses.

A seleção portuguesa era uma das ‘outsiders’ em termos de favoritismo a levantar o troféu Henri Delaunay, mas os pupilos de Fernando Santos revelaram a crença que se mostrou determinante nos momentos mais difíceis do torneio.

Com 11 jogadores formados no Sporting, a aposta nas academias ficou bem evidente, e esse fator seria determinante nos anos que se seguiram à conquista. FC Porto e SL Benfica reforçaram a aposta nas suas academias, e, desde então, temos assistido a uma completa revolução na maneira como são construídos os plantéis do campeonato português.

No caso do Benfica, com João Félix à cabeça, o clube da luz definiu como principal aposta o lançamento de jovens da formação no plantel principal, quer tenha sido pelo impacto de Renato Sanches na campanha do Euro 2016, ou simplesmente pela mudança de treinadores, o que é certo é que os ‘encarnados’ hoje contam com oito jogadores da academia no plantel, quando em 2016 tinham apenas três.

O mesmo se aplica ao plantel do FC Porto que, em 2016, tinham apenas dois jogadores oriundos da sua academia na equipa principal – Sérgio Oliveira e Rúben Neves. Passados quatro anos, os dragões reforçaram a aposta na formação, onde a proibição de contratar devido ao fair play financeiro também terá ajudado a seguir por este caminho. Na temporada 2019/20, os azuis e brancos contam com seis jogadores da formação no plantel principal.

O Sporting CP foi considerado um dos clubes com mais jogadores formados na sua academia no Euro 2016, não só para a seleção portuguesa. Os leões viveram tempos atribulados, não só pela busca incessante em tentar construir um plantel forte o suficiente para vencer a liga, mas também pelo ataque à academia. A aposta na formação nunca parou, é certo, mas os resultados continuam a não aparecer, e a desconfiança em comprar jogadores ao Sporting permanece (comparativamente a Porto e Benfica) na Europa do futebol, mesmo depois de todos os bons exemplos resultantes da academia.

Também o SC Braga investiu na formação. No Euro 2016 tiveram apenas um jogador presente na fase final, Rafa, que hoje representa o SL Benfica, e desde então o clube tem procurado competir com os chamados “três grandes” do futebol português no campo da formação. A prova disso mesmo é que na temporada de 2019/20, o clube minhoto chegou à acordo com o FC Barcelona para a transferência do jovem promissor Francisco Trincão para a Catalunha no final da temporada.

Outra das curiosidades é que, dos 23 convocados para representar a seleção portuguesa no Euro 2016, apenas Danilo Pereira e o guarda-redes Anthony Lopes continuam a representar o mesmo clube – o FC Porto e o Lyon respetivamente. 20 jogadores mudaram de clube, e apenas Ricardo Carvalho pendurou as botas.

A vitória no Euro 2016 mudou o paradigma do futebol português dentro e fora de portas, e o apetite dos tubarões europeus saiu aguçado, tanto a nível de jogadores como de treinadores. Em suma, o valor do jogador português aumentou significativamente, e a aposta nos jovens saiu reforçada. O golo de Éder ao minuto 109, mudou a história do futebol português para melhor, e os frutos estão à vista.

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