Conseguirão os super-heróis salvar os cinemas do coronavírus?

Com os espectadores receosos de ir ao cinema e a opção facilitada de ver filmes em casa através das plataformas de ‘streaming’, a inovação poderá ser a solução.

Os filmes de super-heróis explodiram em popularidade na última década. Seis dos dez filmes mais lucrativos de 2019 foram filmes de super-heróis, três dos quais atingiram a marca dos mil milhões de dólares e outro ultrapassou os dois mil milhões de dólares.

2020 estava preparado para ser um ano igualmente proveitoso para o género de super-heróis, com estreias altamente antecipadas, como “Wonder Woman 1984”, “Black Widow” eThe New Mutants”. Contudo, estes planos foram atropelados pela epidemia que tomou o mundo e que fez com que a estreia de inúmeros filmes fosse adiada indefinidamente.

Uma das muitas consequências do novo coronavírus e consequente distanciamento social foi a subversão da indústria cinematográfica. Milhões de salas de cinema foram forçadas a fechar no mundo inteiro, para evitar o alastramento do vírus, estando abertas apenas 1% das salas de cinema existentes. De acordo com o Instituto de Cinema e Audiovisual, em março, o número de espetadores nos cinemas portugueses caiu 77%, comparando como março de 2019.

O impacto é semelhante a nível mundial. Segundo a revista “Hollywood Reporter”, estima-se que as perdas possam ascender a 4,5 mil milhões de dólares (cerca de 4,1 mil milhões de euros) se a quarentena e consequente fecho dos cinemas se mantiver até julho. Contudo, mesmo num cenário optimista, em que os cinemas reabram em junho, há uma forte possibilidade de audiências estarem demasiado preocupadas com o risco de contágio para regressarem às salas de cinema.

Apesar de a indústria cinematográfica ter sobrevivido a guerras e recessões, uma epidemia é algo muito diferente, na medida em que é impossível prever o comportamento dos consumidores. A isto acresce o facto de as ações das grandes cadeias de cinema americanas, como a AMC Entertainment, Cineworld e Cinemax estão em queda livre. Em 2018, as ações da AMC Entertainment situavam-se nos 16 dólares, sendo que a 21 de abril de 2020 cotavam a 3,25 dólares. A Cineworld e a Cinemax estão numa situação semelhante: no ano passado, o valor das suas acções caiu 80,41% e 68,09% respetivamente.

Além disso, o tráfego das plataformas de streaming têm crescido significativamente  desde o início da quarentena. Apesar destas plataformas, nomeadamente, a Netflix, a Amazon Prime e a HBO GO, não divulgarem o número de subscritores ou de visualizações, estes números aumentaram ao ponto de causarem problemas a fornecedoras de internet, que não possuem largura de banda suficiente para estes números sem precedente.

Com os espectadores receosos de ir ao cinema e a opção facilitada de ver filmes em casa através das plataformas de streaming, terão os recintos de cinemas hipótese de sobreviver a esta crise de saúde pública? Muitas vezes, as crises abrem caminho à inovação e novas modas, o que pode ser a chave para a salvação dos cinemas. Mudanças como subscrições mensais, cadeias de cinemas com plataformas de streaming próprias e até pipocas takeaway, são mudanças que já estão a ser implementadas por alguns donos de cinema com espírito empreendedor.

A chave para a sobrevivência dos cinemas desta vez não irá depender dos super-heróis, mas sim da capacidade de inovação e adapção a esta crise, criando um novo modelo de negócio, que poderá ser o verdadeiro herói que vai salvar os cinemas.

Recomendadas

Por um Portugal de luxo

Ao contrário do que temos feito no passado, apostando nos baixos custos de produção como factor de competitividade, devemos explorar o que temos de inimitável, cobrando preços de monopolista.

O ódio

Para muitos, a resposta racional, estruturada e responsável da direita do sistema não estava a ter ganhos concretos; havia que berrar muito e bem alto. Ventura apareceu disposto a tudo, em troca de apoio e fidelidade total.

Chamem o Professor Porter, já! E chamaram mesmo

Cinco meses depois da minha sugestão, o Conselho de Ministros decidiu atualizar o Relatório Porter nas Grandes Opções do Plano, documento aprovado na semana passada pelo Executivo.
Comentários