Consequências da emigração dos unicórnios portugueses

Existe a ambição de, em 2023, se atingirem os mil milhões de euros em investimento e se duplique o número de ‘startups’, e que a sua atividade contribua para 2% do PIB do país. Importa fixá-las em Portugal.

As startups são um tema cada vez mais recorrente no mundo em que vivemos, sendo estas identificadas por muitos como um dos motores da economia. Surgem em diversos setores, trazendo soluções inovadoras para problemas existentes nas vidas de todos nós.

O impacto das startups na economia portuguesa tem tido uma evolução crescente ao longo dos anos, algo que é notório através da análise da porção do PIB português gerado por estas entidades desde 2016. No referido ano, estas representavam unicamente 0,7% do PIB, enquanto que em setembro de 2020 este valor aumentou para 1,1%, com um total de 2500 startups, 162 incubadoras e três startups unicórnio a contribuírem para esse nível de atividade, gerando 25 mil postos de trabalho nesse mesmo ano.

Uma startup é definida, na generalidade, como sendo uma entidade inovadora, cuja viabilidade é incerta, e que desenvolve o seu modelo de negócio à medida que avança nessa descoberta, no modo de “trial and error”. Contudo, apesar de em número as startups portuguesas constituírem a maior dimensão desta categoria, as startups unicórnio são aquelas que contribuem em maior peso para o crescimento económico.

Trata-se de startups com uma avaliação de mercado superior a mil milhões de dólares e no final de 2020 existiam apenas três startups unicórnio em Portugal. Em março de 2021, esta categoria passou a contar com quatro entidades, Farfetch, Outsystems, Talkdesk e Feedzai – sendo esta a primeira e única startup unicórnio portuguesa com sede em Portugal.

Atualmente, o investimento de larga escala necessário à expansão do negócio deste tipo de empresas é encontrado fora do país. De acordo com Nuno Sebastião, CEO da Feedzai, isto leva a que os fundadores das startups estejam condicionados pelos desejos de investidores estrangeiros, que geralmente exigem a presença da sede no país onde eles próprios se encontram, para que lhes seja possível assegurar que vão lucrar com o risco que correram ao disponibilizar o seu dinheiro a estas entidades.

Consequentemente, os rendimentos destas startups unicórnio vão fortalecer o ecossistema desses países através da sua contribuição para a competitividade e do pagamento de impostos, deixando de fora uma oportunidade para enriquecer a economia portuguesa.

O Governo português tem aumentado o foco ao nível dos apoios monetários e dos incentivos à competitividade de startups, disponibilizados maioritariamente através do IAPMEI e da StartUp Portugal. O objetivo é que, em 2023, se atinjam os mil milhões de euros em investimento e se duplique o número de startups, e que a sua atividade contribua para 2% do PIB do país.

Com os crescentes incentivos do Governo, talvez se consiga alcançar o patamar necessário para se alavancar mais startups em território português.

O artigo exposto resulta da parceria entre o Jornal Económico e o ITIC, o grupo de estudantes que integra o Departamento de Research do Iscte Trading & Investment Club.

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