O agrupamento Newtour/MS Aviation, candidato à privatização da SATA, diz que foi surpreendido por um comunicado do SPAC “que é, a todos os títulos, inaceitável e cujo conteúdo só podemos repudiar”.
Esta declaração é em resposta ao que o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) disse esta quinta-feira em comunicado. O sindicato assegurou que “até ao momento não recebeu qualquer proposta “formalmente enquadrada, subscrita por contraparte com competência legal e acompanhada de plano de negócios”, sobre o processo de privatização da Azores Airlines, acrescentando que “jamais negociará sem mandato expresso dos seus associados, a conferir em assembleia de empresa”.
“Ao dia de hoje, o SPAC não pode – porque é manifestamente falso – alegar que não recebeu qualquer proposta formal. Coisa diferente é dizer que não tinha mandato da Assembleia de Empresa para se comprometer em nome dos pilotos, mas esse é um tema da vida interna da organização no qual o Agrupamento não se vai imiscuir”, diz o consórcio Newtour/MS Aviation que reitera a disponibilidade para discutir a proposta que entregou ao sindicato, “na certeza de que a mesma só pode ser analisada com honestidade”.
O consórcio espera que seja convocada, muito em breve, uma Assembleia-geral onde os pilotos tomem uma decisão sobre o seu futuro e o da própria SATA.
“A situação da SATA é critica e está a degradar-se a cada dia que passa. Qualquer projeto que tenha o genuíno propósito de garantir a viabilidade da companhia aérea só se concretizará com o envolvimento e com o compromisso dos trabalhadores”, diz o consórcio.
Recorde-se que a Newtour/MS Aviation está a pedir uma redução de mais de 10% na massa salarial aos pilotos – aguarda a resposta dos associados do SPAC antes de tomar decisões sobre a compra da Azores Airlines. A Newtour/MS Aviation só avança para a compra da Azores Airlines caso consiga acordo com os pilotos.
Ontem, em comunicado o sindicato disse que os pilotos não vão aceitar ser responsabilizados por um eventual insucesso da privatização da companhia aérea Azores Airlines, por não aceitarem cortes salariais de 10%.
O consórcio candidato à privatização da SATA diz que o SPAC “além de ferir a confiança necessária a um processo que se quer sério e sereno, o texto difunde entre os pilotos e os centros de decisão um conjunto de falsidades que o agrupamento não aceita, sob pena de se transformarem em verdades que comprometam o futuro da SATA e a reputação empresarial dos envolvidos”.
Passaram quase três anos desde que o agrupamento Newtour/MS Aviation manifestou interesse no processo de privatização da SATA. Assumiu, desde a primeira hora, que um dos fatores que mais pesaria na decisão de avançar ou não com uma proposta de valor seria a discussão com os trabalhadores. O consórcio sublinha que “era claro na altura, do mesmo modo que é hoje, que sem o envolvimento e o apoio do maior ativo da companhia aérea nenhum projeto seria bem sucedido. Por essa razão, após o início formal das negociações com a SATA Holding, o Agrupamento abriu uma frente de diálogo com os sindicatos”.
“A 13 de maio deste ano o agrupamento Newtour/MS Aviation enviou ao sindicato um pedido de reunião que permitiu que as partes se sentasse à mesma mesa, pela primeira vez, 10 dias depois. Nos meses que se seguiram realizaram-se seis reuniões entre os delegados sindicais da companhia e o Agrupamento, ora representado por quem tem competência legal, ora pelos próprios empresários. Foi disso exemplo a reunião de 23 de julho, na qual marcaram presença Carlos Tavares, Tiago Raiano, Paulo Pereira e Pedro Mendes. Mais: a reunião teve lugar no SPAC, à vista de todos”, relata o comunicado.
Carlos Tavares e Paulo Pereira da Silva – um empresário ligado ao turismo e ao agroalimentar na zona do Douro (Quinta da Pacheca) e detentor de uma cadeia de supermercados com presença em várias cidades francesas – juntaram-se ao agrupamento candidato à aquisição da Azores Airlines
“O agrupamento tem tudo devidamente documentado, daí estranhar a posição agora assumida publicamente pela direção do SPAC, em claro contraste com o espírito das conversações em curso. Esse espírito construtivo vinha alimentando em todos um otimismo responsável, que culminaria com a apresentação, nas próximas semanas, de uma proposta de valor para a aquisição da companhia”, adianta ainda o candidato à privatização da SATA.
O agrupamento continua dizendo que “a 3 de julho entrou na caixa de correio eletrónico do SPAC um email que mostra bem a maturidade do diálogo entre as partes. Nele assumiu a necessidade de otimizar os custos de operação por forma a poder garantir o sucesso da operação da SATA Internacional no dia seguinte à privatização, e, admitindo-se a possibilidade de alterar regras constantes do acordo de empresa, foi referido pela comissão de empresa que a discussão deveria continuar com a direção do SPAC”.
Ontem, o vice-presidente do SPAC, Frederico Saraiva de Almeida, citado em comunicado de imprensa numa notícia da Lusa, diz que “os pilotos não bloqueiam a privatização. Exigimos propostas formais, verificação de idoneidades e respeito pelo Acordo de Empresa. Sem mandato da assembleia [de empresa] e sem garantias claras – prazo e benefícios quantificados, aplicáveis a toda a empresa – não há negociação”, afirmou.
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