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Construção na Europa crescerá apenas 1,6% sob a ameaça de custos altos e falta de mão de obra

Um novo relatório da Crédito y Caución alerta para os desafios estruturais que pressionam as margens do setor, apesar do alívio previsto nas taxas de juro pelo BCE.
11 Março 2026, 14h17

O setor da construção enfrenta um cenário de crescimento moderado e riscos persistentes, segundo os dados mais recentes da Crédito y Caución, cuja a previsão de crescimento global para o setor fixa-se nos 2,3% em 2026.

De acordo com um relatório recente da Crédito y Caución, o setor crescerá apenas 1,6% na Europa em 2026, impulsionado pela construção residencial.

Para a seguradora de riscos de crédito embora o mercado da construção esteja mais protegido das tensões comerciais globais e das tarifas dos EUA devido à sua natureza regional, o setor está a ser travado por “fatores internos” críticos: a escassez estrutural de profissionais e os preços elevados dos materiais. Estes elementos continuam a comprimir as margens de lucro dos fabricantes e a dilatar os prazos de entrega.

O subsetor residencial deverá ser o principal motor de crescimento na Europa, impulsionado pelos cortes nas taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE). No entanto, este otimismo é contrastado por um risco de crédito corporativo que permanece elevado em vários mercados chave:

Em França a instabilidade política e a ausência de novos motores de crescimento fazem prever que o número de insolvências continue alto.
Na Alemanha o fraco desempenho económico mantém o setor em alerta. Entre janeiro e outubro de 2025, as insolvências subiram 9,3%.

Já em Itália a escassez de liquidez e a relutância bancária em conceder empréstimos colocam o país no grupo de maior risco.

Por sua vez no Reino Unido e apesar de uma ligeira melhoria prevista no risco de crédito, a inflação e os atrasos no licenciamento continuam a adiar projetos.

Mesmo sem uma exposição direta às guerras tarifárias, a construção sofre um impacto indireto. A incerteza no comércio global tem levado as empresas a reduzir o investimento em construção comercial. Países como Áustria, Dinamarca, Hungria, Suécia e Turquia juntam-se à lista de mercados com níveis elevados de risco de crédito.

Em suma, o setor navega num equilíbrio precário onde o alívio financeiro proporcionado pela descida dos juros é neutralizado por custos de produção que não dão tréguas e por uma força de trabalho cada vez mais difícil de encontrar.


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