[weglot_switcher]

Consumo em queda exerce pressão sobre setor do vinho na Europa

Para a Coface, a decisão da União Europeia de financiar o arranque das vinhas é uma forma de “mascarar” o problema. Políticas de apoio ao aumento do consumo seriam mais eficazes.
DR: David Kohler/Unsplash
22 Dezembro 2025, 13h05

No início de dezembro, a Comissão Europeia aprovou um plano de apoio ao setor do vinho, que enfrenta condições económicas desfavoráveis e dificuldades estruturais crescentes. “Embora significativo, este plano responde apenas parcialmente ao problema, deixando de fora, para já, a quebra do consumo na Europa e as dificuldades nas exportações”, refere um comunicado da Coface, empresa especializa em seguro de crédito.

O plano de apoio “assenta sobretudo em subsídios para o arranque definitivo de vinhas. Em França, serão mobilizados 130 milhões de euros para financiar o arranque, à razão de quatro mil euros por hectare. Esta medida, que também se aplica a Itália e Espanha, visa limitar a oferta face à quebra da procura. No entanto, aborda apenas parte do desequilíbrio estrutural do setor”. A produção e o consumo mundiais de vinho caíram ambos cerca de 10% nos últimos dez anos. No entanto, refere a Coface, a queda é muito mais acentuada na Europa, onde o consumo diminuiu 25% desde 2000. A França perdeu o estatuto de maior produtor mundial para a Itália, enquanto a procura continua a cair. Em 2025, o consumo global deverá atingir um mínimo histórico de 214 milhões de hectolitros.

Os vinhos europeus enfrentam ventos contrários nos mercados internacionais. Na China, o consumo de vinho caiu mais de 60% desde a pandemia, enquanto nos Estados Unidos novas barreiras alfandegárias estão a dificultar o acesso ao mercado por parte dos exportadores europeus. Estas dificuldades nas exportações fragilizam ainda mais um setor já sob forte pressão.

Neste contexto, “o foco no arranque de vinhas mascara problemas estruturais”. O plano francês de arranque, que prevê a retirada de 1,5 milhões de hectolitros do mercado (apenas 10% do excedente de oferta estimado para 2025), não é suficiente para corrigir o atual desequilíbrio entre oferta e procura. Além disso, baseia-se exclusivamente na redução da produção para melhorar as condições do setor, ignorando o desafio da quebra da procura e da mudança dos hábitos de consumo.

“A aposta no arranque de vinhas obscurece também a necessidade de subida de gama e as grandes disparidades entre produtores. Os vinhos de entrada de gama, em particular no sudeste de França, enfrentam uma concorrência crescente de países não europeus e uma procura em queda, tornando esta solução inadequada para garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor”.

Citado pelo comunicado, Simon Lacoume, economista setorial, afirma: “a indústria europeia do vinho atravessa uma crise sem precedentes, marcada por um desequilíbrio persistente entre oferta e procura, dificuldades nas exportações e forte concorrência nos vinhos de entrada de gama. As medidas atuais, embora essenciais, não são suficientes para reinventar de forma sustentável o setor.”

RELACIONADO

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.