COP26. Marcelo saúda “pequeno passo” lamentando falta de consenso “mais ambicioso”

A 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) adotou formalmente uma declaração final com uma alteração de última hora proposta pela Índia que suaviza o apelo ao fim do uso de carvão.

O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, saudou este sábado o “pequeno passo” dado na cimeira do clima em Glasgow (COP26), lamentando que “não tenha sido possível um consenso mais ambicioso”.

“Embora lamentando que não tenha sido possível um consenso mais ambicioso, nomeadamente no que diz respeito aos combustíveis fósseis, à redução de emissões, aos prazos para atingir os objetivos limitados em discussão, ao apoio financeiro aos países menos desenvolvidos, para se adaptarem às mudanças que aí estão e mitigarem os efeitos para os seus povos, o Presidente da República saúda o pequeno passo dado pelo COP26 em Glasgow, que ainda assim representa um avanço, tímido, na luta contra as alterações climáticas”, lê-se num comunicado hoje divulgado no ‘site’ oficial da Presidência da República Portuguesa.

A 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) adotou formalmente uma declaração final com uma alteração de última hora proposta pela Índia que suaviza o apelo ao fim do uso de carvão.

A alteração foi proposta pelo ministro do Ambiente indiano, Bhupender Yadav, que no plenário de encerramento da COP26 pediu para mudar a formulação de um parágrafo em que se defendia o fim progressivo do uso de carvão para produção de energia sem medidas de redução de emissões.

A proposta acabou por ser aprovada pelo presidente da cimeira, Alok Sharma, que afirmou de voz embargada “lamentar profundamente a forma com este processo decorreu”.

O documento final aprovado, que ficará conhecido como Pacto Climático de Glasgow, preserva a ambição do Acordo de Paris, alcançado em 2015, de conter o aumento da temperatura global em 1,5ºC (graus celsius) acima dos níveis médios da era pré-industrial.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, comentou o acordo alcançado em Glasgow alertando que apesar de “passos em frente que são bem-vindos, a catástrofe climática continua a bater à porta”.

Relacionadas

COP26. Ministro do Ambiente considera que expectativas “foram razoavelmente cumpridas”

“Foram razoavelmente cumpridas as expectativas da COP, que era anunciada como a COP mais importante depois de Paris. Estamos a falar de um exercício multilateral, e, ainda que haja algumas partes deste acordo em que manifestamente devíamos ter ido mais longe, eu começo por dizer uma coisa: há acordo, coisa que não tivemos em Madrid, não tivemos em Katovice [as duas anteriores reuniões da ONU], disse o ministro.

COP26: Este é o momento da verdade para o planeta, diz presidente da cimeira

O responsável admitiu que o mundo não cumpriu as promessas feitas quando da aprovação do Acordo de Paris sobre o clima, em 2015, mas acrescentou que o projeto de declaração final da COP26 reconhece isso e “apela a uma resposta”.
Recomendadas

Portugal deixou definitivamente de usar carvão na produção de eletricidade

Entre 2008 e 2019, a Centro do Pego representou, em média, anualmente, 4% das emissões totais nacionais de gases com efeito de estufa (GEE).

Madeira vai ter uma central de armazenamento de eletricidade em baterias

A Siemens afirma que o projeto também contribuirá para a “sustentabilidade da ilha, uma vez que reduzirá a sua pegada de carbono e integrará fontes de produção de energia mais diversificadas”.

Pressão sobre preços da energia deverá manter-se no próximo ano

Instabilidade no mercado do gás natural condiciona evolução dos preços da energia na Europa. Participantes na mesa-redonda sobre “a descarbonização e os preços da energia”, realizada no âmbito da Portugal Smart Cities Summit, consideram que situação deverá manter-se em 2022.
Comentários