Coronavírus, a pergunta não é “se” mas “quando”

Mais vale prevenir do que remediar. Sem alarmismos, mas com determinação. É tempo de revisitar os planos de contingência criados nas nossas organizações em casos anteriores, readaptá-los e pô-los em prática.

Desde janeiro que se vêm adensando os casos registados de pessoas infetadas com o Covid-19, nome científico atribuído ao novo coronavírus. Até há poucos dias, este fenómeno era tratado com algum afastamento pelo cidadão comum, mas agora que já nos bate à porta através do número cada vez mais expressivo de casos registados em Itália, a questão que se coloca é quanto tempo levará até à proliferação de casos positivos em território nacional.

Trata-se de um alerta sanitário para o qual temos de estar devidamente atentos. Em Barcelona, estima-se que o impacto dos cancelamentos no Mobile World Congress tenha sido de cerca de 500 milhões de euros. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, não arriscando quantificar o impacto, acabou por admitir que a proliferação do coronavírus terá consequências no crescimento económico mundial, afetando particularmente os países economicamente mais débeis. Na região da Lombardia, em Itália, há serviços públicos e empresas que foram encerrados, de forma abrupta.

O sucessivo isolamento de populações com o objetivo de conter o contágio, inicialmente com episódios relatados pelos media respeitantes a cidades de países asiáticos, e agora em cidades italianas, vem questionar o grau de preparação que temos enquanto sociedade e, particularmente, nas organizações em que trabalhamos, para a gestão de uma contingência desta natureza. Sobretudo enquanto não for encontrado antídoto.

Recordo o trabalho que foi desenvolvido na criação de planos de contingência para a prevenção da gripe A, nomeadamente ao nível dos planos de continuidade de laboração das empresas. Atualmente, a informação existente é parca do ponto de vista científico, sobretudo para avaliar a dimensão do problema quer no seu impacto na saúde à escala global, quer no seu reflexo no funcionamento da sociedade.

No entanto, mais vale prevenir do que remediar. Sem alarmismos, mas com determinação. É tempo de revisitar os planos de contingência criados nas nossas organizações em casos anteriores, readaptá-los e pô-los em prática. Com a informação existente, importa reunir com os responsáveis pelas equipas dos locais de trabalho e traçar novos planos para que sejam reduzidos, ao mínimo, os impactos na saúde dos trabalhadores e na continuidade do funcionamento das empresas.

Evitar a deslocação física ao local de trabalho, em caso de suspeita, é a forma mais sensata de agir. Nos casos em que a função é crítica, e sempre que possível, importa prever a disponibilização de condições que permitam o teletrabalho durante o período necessário para que seja dissipada a suspeita. Reativar ou instalar os procedimentos de higiene das mãos, de forma séria, e precaver a eventual utilização do uso de máscaras, são ações fundamentais a ter em consideração nos locais de trabalho.

É real a probabilidade de virmos a assistir a casos confirmados. Se, e quando acontecer, as nossas organizações estiverem preparadas, os riscos serão mitigados e eventuais impactos na continuidade do funcionamento serão minimizados, evitando potenciais perdas. A prevenção não é uma perda de tempo nem um custo desnecessário. É um investimento sério, prudente e responsável.

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