Corrupção: Angola melhora no ‘ranking’ da Transparência, “mas tem de fazer mais”

A organização não-governamental atribuiu 26 pontos a Angola, face aos 19 pontos de 2018, o que permitiu uma subida para o 146º lugar no ranking, do 165º no relatório anterior. Alertou, no entanto, que apesar de o país ter recuperado cinco mil milhões de dólares em ativos roubados, mais tem de ser feito para dar transparência nas contas do petróleo.

Angola saltou 19 lugares no Corruptions Perception Index (CPI) 2019, apresentando uma das principais melhorias na tabela que mede a corrupção a nível global, mas continua com um score muito abaixo da média mundial e “precisa de fazer mais” promover a transparência sobre as receitas petrolíferas, afirmou esta quinta-feira a Transparência Internacional.

A organização não-governamental (ONG) atribuiu 26 pontos a Angola, face aos 19 pontos de 2018, o que permitiu uma subida para o 146º lugar no ranking, do 165º no relatório anterior.

“Após quatro décadas de poder autoritário, Angola saltou sete pontos no CPI deste ano, tornando-se num dos países com a melhoria mais significativa”, explicou a Transparência Internacional. “No entanto dados o score geral baixo, o país continua bastante abaixo da média global de 43 pontos”.

A ONG recordou que Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola e conhecida como a mulher mais rica de África, foi exonerada da chefia da petrolífera estatal Sonangol meses após a chegada de João Lourenço ao poder eem 2020. Lembrou ainda que no mês passado, no âmbito de investigações sobre alegada corrupção, um tribunal angolano arrestou os bens da empresária.

“Apesar do país ter recuperado 5 mil milhões de dólares em ativos roubados, mais tem de ser feito para fortalecer a integridade e promover a transparência na contabilidade das receitas do petróleo”, sublinhou.

Portugal perde dois pontos no ‘ranking’ da corrupção

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