Credit Suisse corta preço-alvo da Galp em 7% com ‘guidance’ abaixo do esperado

Apesar do corte no preço-alvo, o Credit Suisse explicou que tem uma recomendação de ‘Outperform’ para a Galp porque as ações oferecem um dos potenciais de ganhos mais elevados entre as empresas de energia na Europa. O próximo ‘trigger’ deverá ser o ‘Capital Markets Day’ em maio.

Galp

O Credit Suisse juntou-se ao coro de casas de investimento que ficaram desiludidas com o guidance apresentado pela Galp Energia para 2021, com o banco suiço inclusive a cortar o target price para as ações da empresa portuguesa em 7% esta terça-feira.

“O guidance apresentado para 2021, que foi apresentado com os resultados do quarto trimestre, ficou abaixo do esperado, especialmente em relação à produção upstream”, sublinharam os analistas, em nota de research.

O Credit Suisse manteve a recomendação de ‘Outperform/Buy‘ para a petrolífera, mas cortou o preço-alvo para 13 euros por ação, o que compara com o anterior alvo de 14 euros e cotação atual de 9,208 euros.

Num comunicado em que apresentou um resultado líquido ajustado (RCA) de 42 milhões de euros de prejuízo em 2020, face a um lucro de 560 milhões de euros no ano anterior, a Galp reviu as estimativas para 2021, “incorporando maior prudência no que respeita à evolução macro e dos seur potenciais efeitos nas operações e resultados”.

A empresa prevê agora produção de petróleo total numa base working interest de entre 125 mil e 135 mil barris por dia este ano, face à média de 128,2 mil barris diários em 2020.

Os analistas do CaixaBank BPI, do Santander e do RBC Capital Markets também sublinharam que as metas ficaram aquém das expectativas. As ações da Galp perderam 1,12% na segunda-feira e 1,92% esta terça-feira.

O Credit Suisse adiantou que as restrições relacionadas com a Covid-19 poderão explicar as metas apresentadas pela Galp. “Enquanto alguns acham que a Galp gosta de ser prudente (e com o novo CEO poderá ser mais ainda), é provavelmente melhor ter precaução por que o progress em relação à Covid no Brasil é lento”.

Na primeira teleconferência com os analistas, o novo CEO Brown sublinhou que a empresa adoptou uma atitude de prudência em várias frentes, nomeadamento o investimento ‘capex’, líquido de alienações, de entre 500 milhões e 700 milhões de euros para este ano, o que motivou também um corte de 50% no dividendo em relação ao exercício de 2020 para 0,35 euros por ação e um objetivo de 0,50 euros para as contas de 2021.

Brown revelou ainda que a empresa vai realizar um Capital Markets Day em maio para dar ‘clareza’ aos investidores sobre a política de dividendos e outros assuntos como o plano de investimento nas renováveis.

Segundo o Credit Suisse, tal como as pares, a Galp deverá anunciar nesse event uma “optimização” pois não quer tentat “fazer tudo”.

“Tem uma fundação sólida, o negócio upstream tem custos baixos com longa duração como mais oportunidades de crescimento, e tem possibilidades de desenvolver o negócio de gás através do LNG no Brasil”, sublinhou.

O Credit Suisse explicou que tem uma recomendação de ‘Outperform’ para a Galp porque as ações oferecem um dos potenciais de ganhos mais elevados entre as empresas de energia na Europa.

Ler mais

Relacionadas

Bolsas, ‘yields’, Galp, EDP e Semapa. Veja o “Mercados em Ação”

Acompanhe o “Mercados em Ação” no site e nas redes sociais do Jornal Económico. E reveja-o através da plataforma multimédia JE TV.

“Prudência” é a palavra favorita do novo CEO da Galp para “um ano duro”

Na primeira teleconferência com os analistas, Andrew Brown disse que a Galp não quer ser avaliada apenas pelo dividendo, mas concedeu que os investidores precisam de ‘clareza’ sobre o assunto e por isso a empresa vai organizar um ‘Capital Markets Day’ em maio.

Meta de produção da Galp para 2021 desilude e ações tombam 3%

Os analistas ficaram desapontados com o ‘guidance’ empresa sobre a produção de petróleo este ano, que vai ficar entre 125 mil e 135 mil barris por dia, prevendo uma reação negativa do mercado. Em relação à nova política de dividendo, a opinião divide-se entre alguns elogios e desilusão.
Recomendadas

Sonae reforça posição na Sonae Sierra ao comprar 10% do capital desta à Grosvenor

O grupo com sede na Maia passa assim a deter 80% da Sonae Sierra, depois de adquirir 10% por uns estimados 82,16 milhões de euros à Grosvenor.

CEO do Goldman Sachs anuncia investimento de 156 mil milhões de dólares na sustentabilidade

David Solomon, presidente e CEO da Goldman Sachs, anunciou o progresso anual rumo ao compromisso do banco norte-americano em termos de Sustainable Finance Commitment. O banco norte-americano quer que os EUA regressem ao Acordo de Paris.

Administração da Semapa diz que preço da OPA da Sodim é o adequado

A administração da Semapa considera a OPA oportuna e o preço de 11,40 euros, bem como as restantes condições, são as adequadas.  A Semapa também diz que a OPA não prevê a necessidade de proceder a alterações às condições atuais dos trabalhadores e que o perfil de risco de crédito da empresa não será alterado.
Comentários