Crédito a empresas vai cair este ano face a 2020, avisa Paulo Macedo

As empresas “recorreram às linhas para alongar maturidades e por isso vão precisar menos de crédito a curto prazo”, avisou o CEO da CGD que teceu ainda críticas ao Programa Retomar. “Alguém se candidatou? Só por curiosidade”. Em alternativa defendeu o prometido “Programa Capitalizar”. Banca vai ter primeiro stress test ambiental já em 2022, anunciou.

Cristina Bernardo

As empresas recorreram às linhas garantidas pelo Estado para alongar maturidades e por isso vão precisar menos de crédito a curto prazo. O Programa Capitalizar vai ser mais útil que Programa Retomar para as empresas. “Alguém se candidatou? Só por curiosidade”, questionou o CEO da Caixa Geral de Depósitos. O banqueiro lembrou também que os ratings ambientais vão marcar o financiamento das empresas. “A Banca vai ter primeiro stress test ambiental já em 2022”, e “já há bancos no mundo que não financiam empresas que usam o carvão no processo produtivo”.

Estas foram as principais mensagens de Paulo Macedo, presidente da CGD, no seu discurso na abertura do “Fora da Caixa” em Tomar, que decorreu na terça-feira.

O CEO da Caixa disse a uma plateia de empresários, que a procura de crédito a empresas vai cair este ano face ao ano passado, porque em 2020 com a linhas de crédito protocoladas (com garantia do Estado) o crédito atingiu um pico.

As empresas também “recorreram às linhas para alongar maturidades e por isso vão precisar menos de crédito a curto prazo”.

“Calculamos que no sistema financeiro um terço das linhas não tenham sido utilizadas, e começarão agora a ser usadas para amortizar empréstimos no fim das moratórias”, disse o CEO da CGD.

“Isto não é uma boa notícia para a banca, mas é uma boa notícia para as empresas”, porque com taxas de juros baixas e a procura de crédito a cair as empresas conseguem melhores condições de financiamento bancário.

As taxas de juro vão manter-se baixas durante mais algum tempo e o banqueiro antevê taxas de juro positivas em 2024 e 2025, podendo esse movimento ser antecipado para 2023.

“Para quem investe tem um ambiente taxas de juro baixa”, disse o CEO da Caixa Geral de Depósitos.

Por outro lado os depósitos atingiram um pico nos últimos 17 anos, adiantou.

Paulo Macedo explicou aos empresários que os últimos dados revelam que a dívida privada está de acordo com a média europeia ou até abaixo, porque as empresas desalavancaram e os particulares também. Mas a contrapartida é que a dívida pública disparou para um nível acima da média europeia.

O CEO da CGD lamentou ainda que o nosso sector exportador continue a ser suportado pelo turismo e alojamento e alertou que o país precisa de investir na melhoria da formação dos quadros de base, mas também de melhorar a qualificação da gestão.

O banqueiro defendeu também a implementação do prometido “programa de capitalização das empresas que está para sair há sete ou oito anos”, porque, lembrou reagimos à crise “pondo mais dívida em cima da dívida, agravando o desequilíbrio entre capitais próprios e capitais alheios”.

Na opinião da CGD “este Programa Capitalizar, a ser bem sucedido, vai ser mais importante do que por exemplo o Programa Retomar, que foi agora lançado para apoiar as empresas no fim das moratórias. Alguém se candidatou ao Programa Retomar? Só por curiosidade”, perguntou o presidente da Caixa a uma plateia de empresários.

Perante a ausência de resposta dos empresários à sua pergunta, Paulo Macedo concluiu: “Não deixa de ser significativo. Porque de facto as restrições foram tantas que há poucas a empresas a qualificarem-se para esse programa”. Portanto, “o Programa Capitalizar será mais importante para a corrigir esta assimetria que tem muitas décadas, de défice de capitais próprios”, rematou.

Sobre os desafios das empresas ao nível das métricas de  ESG (environmental, social and corporate governance), o presidente da CGD lembrou que as empresas vão  passar a ter rating ambiental que não terá consequências em termos de crédito, mas serve de alerta para introduzir melhorias.

“Os bancos para o ano vão ter o primeiro stress test só sobre questões ambientais”, revelou o presidente da Caixa. Apesar de os ratings ambientais não condicionarem, em teoria, o crédito, “a verdade é que já há vários bancos no mundo que não financiam indústrias extrativas de carvão, e não financiam empresas que consomem carvão no seu processo produtivo”, como bem lembrou Paulo Macedo.

“Estamos num tempo em que a nossa geração está a atacar as gerações futuras, em termos orçamentais e em termos climáticos”, realçou.

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