Criador de consensos juntou têxteis antes de presidir à AEP

Paulo Nunes de Almeida morreu ontem, aos 60 anos, deixando para trás um percurso ligado ao empreendedorismo e à internacionalização.

Presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) desde 2014, Paulo Nunes de Almeida, ontem falecido aos 60 anos, foi profusamente recordado como alguém que tentou, mesmo nas situações mais delicadas, criar os consensos necessários, mesmo que por vezes não suficientes, para o desenvolvimento.

Foi assim quando esteve por trás da fusão entre a APIM (Associação Portuguesa das Indústrias de Malha e de Confeção) e a APT (Associação Portuguesa dos Têxteis e Vestuário), realizada em julho de 2003. A esse propósito, Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, a associação que resultou da fusão e que foi dirigida pelo empresário agora falecido, disse que “Paulo Nunes de Almeida, juntamente com as associações empresariais da Turquia e dos Estados Unidos, obrigaram a Comissão Europeia a prolongar por dois anos o período de transição da abertura dos mercados internacionais, o que permitiu salvar tantas empresas têxteis”.

Voltou a revelar-se esse seu lado consensual quando, depois de vários anos como vice-presidente de José António de Barros, assumiu a presidência num quadro interno particularmente difícil. Nessa altura, e ao mesmo tempo que resolvia uma parte substancial do passivo que atormentava o balanço da associação, recentrou a organização que dirigia naquilo que foi sempre o seu core: a promoção do desenvolvimento das empresas, como uma predominância cada vez mais evidente na internacionalização.

Além dos cargos na AEP e na ATP, Nunes de Almeida assumiu cargos dirigentes na CIP e na ANJE (foi um dos promotores do Portugal Fashion), além de ter sido também presidente do Conselho Fiscal do FC Porto e da SAD desse clube.

Licenciado em Economia pela Universidade do Porto, Paulo Nunes de Almeida iniciou a sua vida profissional no Banco Português do Atlântico (1982-1984), mas cedo preferiu o empreendedorismo: passou a dedicar-se à atividade empresarial em vários setores mas com especial notabilidade no setor têxtil e de vestuário. A TRL – Têxteis em Rede foi uma das suas principais empresas.

No aniversário da AEP, em maio, recebeu de Marcelo Rebelo de Sousa a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial. Antes já recebera o Prémio Carreira da ANJE 2016, atribuído pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

Na sua página oficial, o Presidente da República escreveu que “como empresário e como dirigente associativo, Paulo Nunes de Almeida liderou pelo exemplo, pela capacidade de ouvir e unir e pela sua energia e resiliência demonstradas até ao fim. Os empresários portugueses perdem um homem bom que representava com empenho a iniciativa empresarial”.

Artigo publicado na edição nº 1996, de 5 de julho, do Jornal Económico

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