Cristas defende aumento da comparticipação nacional nos apoios à agricultura

Para a líder centrista, além da vertente económica, o setor está “na primeira linha na procura de soluções” para a adaptação às alterações climáticas, pelo que é preciso “canalizar todas as verbas possíveis” para a agricultura.

Cristina Bernardo

A presidente do CDS-PP reafirmou hoje, em Santarém, a proposta de aumento até aos 25% da comparticipação nacional nos apoios à agricultura, setor que tem contribuído para uma “efetiva transformação da economia” e o aumento das exportações.

Assunção Cristas visitou hoje a 56.ª Feira Nacional da Agricultura (FNA), que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, certame que felicitou pela crescente “sofisticação” e “inovação”.

Para a líder centrista, além da vertente económica, o setor está “na primeira linha na procura de soluções” para a adaptação às alterações climáticas, pelo que é preciso “canalizar todas as verbas possíveis” para a agricultura.

Referindo a mostra de paisagens vinhateiras que decora o largo de acesso ao CNEMA (numa alusão ao tema da FNA), em particular do Douro e do Pico, protegidas pela UNESCO, Cristas sublinhou o papel da agricultura no “cuidar da paisagem” e na construção de “barreiras verdes” para mitigar as alterações climáticas.

Falando aos jornalistas já depois de passar pelo pavilhão da União Europeia, Assunção Cristas sublinhou a importância de os países aproveitarem “todas as verbas” disponibilizadas pela Política Agrícola Comum (PAC), “a mais antiga e a mais importante do ponto de vista orçamental”.

Apontando os “contributos positivos” da agricultura para a economia, o território e o clima, a presidente do CDS lembrou que o partido tem defendido que, “numa altura em que há um bocadinho mais de desafogo orçamental”, o Estado português “deve poder colocar voluntariamente uma comparticipação nacional nos fundos comunitários a mais alta possível, neste caso indo até aos 25%”, fazendo “aumentar o bolo das verbas que depois serão aproveitadas pelo setor agrícola”.

Cristas apelou a que Portugal seja “firme” na negociação da PAC que vai vigorar a partir de 2021, assegurando que o pacote destinado ao investimento no setor “não pode sofrer qualquer alteração”, sobretudo quando comparado “com outros países que não têm cortes”.

“Por isso, Portugal não deve aceitar e dever-se-ia bater um pouco mais, de maneira a tornar-nos mais próximos de outros países”, declarou.

Numa declaração em que recusou falar de outros assuntos que não agricultura, Cristas defendeu a adoção de medidas que ajudem a fixar população no interior do país e a fomentar o uso de terras abandonadas, reafirmando a proposta de 10% de IRC para todas as empresas e IRS a metade da taxa, bem como “apoios específicos a portagens e custos de transportes”.

Estes incentivos para tornar “vantajoso estar no interior do país” devem resultar de políticas integradas e não isoladas, reafirmou.

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