CTT, Galp e BCP disparam e puxam pelo PSI 20

A ação que mais valorizou foi a dos CTT (+4,45%); seguindo-se a Galp (+2,63%) e o BCP (+2,34%). Com isto PSI-20 subiu 0,8% para 4.970,64 pontos, abaixo da subida das principais praças europeias.

Benoit Tessier / Reuters

A Bolsa de Lisboa (+0,80% para 4.970,6 pontos) fechou o dia com ganhos, mas abaixo do entusiasmo que se viveu no resto das praças europeias.

“A razão para a discrepância entre o mercado nacional e os seus congéneres europeus prende-se com a constituição do PSI-20”, explica o analista do BPI no seu comentário de fecho.

“No índice português não figuram ações tecnológicas e de fabricantes de automóveis, que estão entre as mais beneficiadas quando o apetite de risco dos investidores aumenta”, diz o analista.

A ação que mais valorizou foi a dos CTT, “que não é dos títulos mais cíclicas do mercado português”, refere a análise. Os Correios subiram 4,45% para 1,993 euros. “O desempenho dos CTT bateu a performance de títulos mais cíclicos como a Mota-Engil, a Navigator e a Altri”, acrescentam.

O BCP viu hoje as ações dispararem 2,34% para 0,1965 euros. Já a Galp foi o segundo título que mais subiu no índice. Valorizou 2,63% para 13,250 euros.

“A Galp espelhou o renovado vigor do petróleo. De recordar que hoje foi o último dia em que a ação negociou com direito ao dividendo intercalar de (0,31 euros), que será distribuído a 10 de setembro. Portanto amanhã, a Galp negociará sob a forma de ex-dividendo”, salienta o BPI.

A Sonae subiu 1,73%; a Corticeira Amorim ganhou 1,08% e a Altri avançou 1,04%.

“A subida das yields (ver Europa) conduziu as ações da EDP e da EDP Renováveis a uma underperformance“, diz o analista do BPI.

As ações da EDP Renováveis vai 0,60% para 10,060  euros e a EDP 0,25% para 3,540 euros.

Pela negativa destaque para a NOS que perdeu -1,14% para 5,19 euros e para a Semapa que desvalorizou -0,33% para 11,980  euros.

Na Europa o verde dominou excepto em Londres. O FTSE caiu 0,55% para 7.271,2 pontos.

O EuroStoxx 50 subiu 0,98% para 3.484,7 pontos.

O CAC de Paris fechou a ganhar 1,11%; o Dax alemão subiu 0,85% para 12.126,8 pontos; o FTSE MIB subiu 1% para 21.955 pontos; e o IBEX disparou 1,54% para 8.992,7 pontos.

A performance das bolsas europeias reflete os mais recentes desenvolvimentos referentes às relações sino-americanas.

Antes da abertura, a China anunciou que o Vice-presidente Liu He irá visitar os EUA nos inícios de outubro, numa tentativa de reatar as conversações, num momento em que estão num impasse. “Esta notícia reforçou o sentimento positivo da véspera, que teve como origem a diminuição dos riscos políticos em Itália, no Reino Unido e em Hong Kong”, diz o BPI.

“Em consequência da conjugação destes dois eventos assistiu-se nos mercados europeus a uma forte propensão ao risco, que beneficiou os sectores mais cíclicos, como o automóvel e o tecnológico”, acrescenta o comentário.

Simultaneamente, a maior propensão ao risco conduziu a uma venda de obrigações, induzindo a subida das respetivas yields. A dívida alemã subiu 8 pontos base para uma yield negativa agora mais baixa do que na sessão anterior (-0,594%). A dívida portuguesa agravou 8,7 pontos base para 0,248% agravando o prémio de risco. Espanha também tem os juros a subirem 8,6 pontos base para 0,235% e Itália viu os juros agravarem 13,5 pontos base para uma yield de 0,945%.

Ao nível macroeconómico, os sinais de desaceleração ou mesmo contração multiplicam-se. Em julho, as encomendas à indústria alemã caíram 5,60% face ao mesmo mês de 2018, confirmando que a atividade industrial no país se encontra numa fase de contração. Os economistas tinham antecipado uma queda anual de 4,20%.

O petróleo continua a disparar. O crude do mar do Norte, de referência na Europa sobe 2,26% para 62,07 dólares.

O euro sobe 0,05% para 1,1041 dólares.

 

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