O atual ambiente operacional deverá resultar em lucros estáveis ou em melhoria em 2026, defende a Morningstar DBRS.
A rendibilidade dos bancos europeus diminuiu face aos picos recentes, mas mantém-se forte. O atual ambiente operacional deverá resultar em lucros estáveis ou em melhoria em 2026, refere a DBRS num comentário intitulado 2026 “European Banking Sector Outlook Neutral: A Goldilocks Year Ahead?”.
“De um modo geral, consideramos o ambiente favorável aos lucros dos bancos. No entanto, podem existir riscos significativos de queda relacionados com o impacto da fricção comercial global, as incertezas geopolíticas e as elevadas avaliações dos ativos”, afirmou Sonja Förster, Vice-Presidente Sénior de Ratings das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS.
Entre os principais destaques da análise destacam-se os efeitos positivos da redução do custo do risco que “deverão diminuir, mas não se prevê uma deterioração significativa da qualidade dos ativos”.
“Coeficiente de Risco e Qualidade dos Activos: Atingimos um Ponto de Inflexão?”, é a reflexão deixada pela DBRS.
Após anos de melhoria (queda) do Custo de Risco (CoR), “acreditamos que o fundo do poço foi atingido e que poderemos observar um aumento moderado em 2026”, defende a agência de notação financeira.
“Com excepção da Alemanha, onde a exposição ao imobiliário comercial e aos sectores automóvel e energético já levou a uma deterioração da qualidade dos ativos, a qualidade dos ativos dos bancos europeus, em geral, manteve-se resiliente ou até melhorou”, destaca a DBRS.
Em particular, os bancos dos países do sul da Europa (onde se inclui Portugal) reduziram as suas antigas carteiras de empréstimos non performing (NPLs) e os seus rácios de NPL aproximam-se agora de níveis semelhantes aos dos seus pares europeus, destaca a DBRS.
“Esperamos que o crescimento económico, os níveis de desemprego relativamente estáveis e as taxas de juro mais baixas continuem a sustentar a qualidade dos ativos nestes países” refere a DBRS.
Os países nórdicos beneficiam de dinâmicas semelhantes, acrescenta.
“No entanto, nas principais economias da Europa, Alemanha, França e Itália, o crescimento tem sido mais anémico; apenas o Reino Unido teve um desempenho ligeiramente melhor. Os elevados custos energéticos e as tarifas recentemente impostas afectam a competitividade de certos sectores industriais na Europa, enquanto a competitividade da China está a aumentar”, alerta a DBRS.
No entanto, acrescenta, “a gestão do risco de crédito por parte dos bancos tem-se revelado, de um modo geral, prudente, com a maioria dos clientes a conseguir resistir a estes desafios. Além disso, muitos bancos ainda mantêm medidas de mitigação para contabilizar estes riscos no âmbito das suas provisões para perdas com empréstimos. Como resultado, na medida em que antecipamos aumentos nas taxas de NPL e CoR, estes serão moderados”.
Por outro lado a introdução da Capital Requirements Regulation 3 – CRR3 [pacote legislativo da União Europeia que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2025 e que implementa os elementos finais da legislação bancária de Basileia III] teve um impacto nos rácios de capital dos bancos que continuam bem capitalizados.
“O ano de 2025 marcou a introdução do Regulamento de Requisitos de Capital 3 (CRR3) nos países da UE. Embora isto tenha afectado individualmente os rácios de capital dos bancos, observamos que a capitalização continua forte. Olhando para o futuro, esperamos um declínio gradual dos rácios de capital devido ao crescimento dos ativos, às alterações regulamentares, aos retornos para os acionistas e ao aumento da atividade de fusões e aquisições (M&A)”, diz a agência de rating.
A DBRS defende que Itália continua a ser o foco da consolidação bancária, mas a atividade também aumentou noutros países. “No entanto, a interferência governamental também está em ascensão”, salienta.
“No geral, a nossa perspetiva fundamental para o sector bancário europeu continua neutra e as nossas ações de notação de crédito ainda estão inclinadas para o lado positivo”, conclui.
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