DBRS atribui rating B (low) às obrigações AT1 do BCP, abaixo do rating do banco

A DBRS destaca que as obrigações AT1 são profundamente subordinadas e constituem os instrumentos de dívida mais júniores do Banco (isto é, são os últimos a ser pagos).

A DBRS acaba de emitir uma nota onde diz que atribui um rating B (low) ao instrumentos de AT1 (Additional Tier 1) do Banco Comercial Português. Mas o outlook (perspectiva) é positivo, em linha com a perspectiva atribuída ao rating do banco emissor.

Ao atribuir a classificação B (low) aos títulos AT1 do BCP, cinco notches abaixo da Avaliação Intrínseca do BCP (Intrinsic Assessment- IA) do BB (high), a DBRS destaca que as obrigações AT1 são profundamente subordinadas e constituem os instrumentos de dívida mais júniores do Banco (isto é, são os últimos a ser pagos).

São títulos perpétuos em termos de prazo e podem ser amortizados em parte ou integralmente, se o emitente ou o regulador determinar que existe um trigger que desencadeie esse “write-down”.

O BCP anunciou hoje uma emissão de títulos de dívida subordinados perpétuos, denominada em euros, a taxa fixa, com possibilidade de reembolso antecipado, por parte do Banco, a partir do final do 5.º ano e mecanismo de redução temporária do respetivo valor nominal (write-down) em caso de verificação de um nível de fundos próprios principais de nível 1 de 5,125%. Portanto o “trigger level” para fazer “write-down” (amortização) da emissão é estabelecido num rácio mínimo de  CET1  para o BCP de 5,125%.

O Banco Comercial Português informou o mercado apenas sobre uma potencial emissão de títulos de dívida subordinados perpétuos, mas não avançou com nenhum montante. O banco prepara assim uma emissão de dívida de elevada subordinação (additional tier 1), que conta para o rácio de capital tier 1 e serve para cumprir rácios regulamentares.

A DBRS diz que enquanto os títulos podem ser emitidos a critério exclusivo do Banco, há condições em termos de resultados líquidos distribuíveis que precisam de ser atendidas. O BCP pode cancelar os pagamentos de juros dos Instrumentos AT1 em parte ou no total e, em algumas circunstâncias, pode ser obrigado a cancelar completamente os pagamentos de juros.

 

A classificação AT1 B (low) é cinco degraus abaixo do IA de BB (high) do BCP porque considera, quer a probabilidade de o banco acionar o trigger para o “write-down” da emissão, quer os níveis de recuperação esperados.

A diferença de notação entre esses títulos de dívida altamente subordinada e o rating do IA (avaliação intrínseca do banco) pode variar entre 3 e mais notches, diz a DBRS. No caso do BCP, a diferença de ratings do banco para a sua emissão de AT1 contempla um elevado buffer de 6,675% entre o rácio que serve de trigger (5,125%) e o rácio CET1 de 11,8% do Banco (ou 8,8% de CET1% mínimo no âmbito do SREP 2018 feito pelo BCE). Por outro lado, o diferencial de ratings também leva em conta os riscos captados na Avaliação Intrínseca (IA) do Banco, dado o elevado stock de NPEs (ativos problemáticos) que correspondia a aproximadamente 12,3% do total de crédito bruto (ou 6,0%, do crédito líquido de provisões) no final de setembro de 2018.

A classificação dos Instrumentos AT1 geralmente caminha em direção ao alinhamento com o rating IA que está no mesmo nível que o rating do BCP enquanto Emissor de longo prazo, isto é em BB (high).

A DBRS diz que os ratings do BCP poderão ser melhorados se o Banco continuar a reduzir o nível de NPL (crédito malparado) a um ritmo significativo e a melhorar a rentabilidade em Portugal, através do crescimento da receita “core” e do menor custo do risco.

Já a pressão negativa de rating pode surgir de uma deterioração significativa na qualidade dos ativos e no capital, e a perspetiva pode voltar a ser Estável se o Banco não for capaz de fazer as reduções planeadas no stock de NPLs.

 

Ler mais
Recomendadas

Lista secreta de devedores da banca deverá ser hoje divulgada de forma agregada, sem nomes e créditos individuais

Só deverão ser divulgados dados agregados, não individualizando devedores e respectivas operações dos sete bancos que receberam ajudas públicas nos últimos 12 anos. Valor total de créditos concedidos e valor agregado de perdas deverão ser hoje conhecidos.

Lone Star diz que Novo Banco quer reduzir para metade o rácio de malparado até 2020

O chairman do Novo Banco, Byron Haynes, deu uma entrevista à Reuters, onde diz que quer acelerar a redução do crédito malparado através de vendas e diz que há muito interesse nas duas carteiras que o banco tem atualmente no mercado. Referindo-se aos portfólios Nata 2 e ao Sertorius.

Citigroup aumenta lucros e supera estimativas dos analistas

O total de empréstimos do terceiro maior banco dos Estados Unidos teve um crescimento de 3%, para 617 mil milhões de euros, enquanto os depósitos aumentaram 5%, para perto de mil milhões de euros.
Comentários