De Tancos a Sócrates. Como foi o primeiro dia da última semana de campanha

Com o título “Desta vez o nome é Tancos”, José Sócrates considera, num artigo publicado na edição “online” do jornal Expresso, que a apresentação da acusação judicial sobre o caso de Tancos a meio da campanha eleitoral tem “evidente e ilegítima motivação política” e crítica anteriores declarações de António Costa sobre justiça.

O PSD e o CDS-PP insistiram hoje em manter Tancos na campanha para as legislativas, dia em que José Sócrates entrou em cena, Mário Centeno criticou as contas dos sociais-democratas e PCP e BE falaram da ‘geringonça’.

A campanha eleitoral para as legislativas entrou no nono dia e o caso de Tancos, em que o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes é um dos 23 acusados pelo Ministério Público, continua a ser o tema para PSD e CDS-PP.

Numa sessão de perguntas e respostas em Coimbra, o presidente do PSD elogiou o Ministério Público por ter “cumprido a sua obrigação” no caso Tancos, depois de o PS “ter dado tudo” a esta classe e aumentado os salários dos magistrados de forma “muito desigual”.

Por sua vez, a presidente do CDS-PP registou a entrada do ex-líder do PS José Sócrates nos comentários ao processo, e voltou a exigir explicações a António Costa, numa ação de campanha em Lagos.

Com o título “Desta vez o nome é Tancos”, José Sócrates considera, num artigo publicado na edição “online” do jornal Expresso, que a apresentação da acusação judicial sobre o caso de Tancos a meio da campanha eleitoral tem “evidente e ilegítima motivação política” e crítica anteriores declarações de António Costa sobre justiça.

Numa arruada em Cacilhas, Almada, o secretário-geral do PS foi questionado sobre se o caso de Tancos está a motivar tensão entre o Governo e a Presidência da República, tendo António Costa respondido que as relações institucionais são “corretas, positivas e construtivas”, advertindo que os portugueses não querem conflitos institucionais.

“As relações institucionais deste Governo são sempre corretas, positivas, construtivas com todos os órgãos de soberania, seja com a justiça, Assembleia República ou Presidência da República”, disse.

No distrito de Aveiro, na feira de Espinho, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lembrou que “há quatro anos o PS não ganhou eleições” e, ainda assim, foi possível “uma solução que foi estável” durante a legislatura, porque “protegeu salários, pensões e os direitos das pessoas”, considerando “fruta da época” eleitoral os apelos dos socialistas.

Catarina Martins respondia ao ministro Augusto Santos Silva sobre os riscos de “um poder desmedido” de algum dos parceiros à esquerda do PS.

Já o líder do PCP rejeitou ter estado casado, ou sequer unido de facto, com o PS nos anteriores quatro anos, referindo-se ao acordo assinado em 2015, tal como BE e “Os Verdes”, que viabilizou o Governo.

Em Canas de Senhorim, Viseu, Jerónimo de Sousa negou ainda qualquer contacto recente entre comunistas e socialistas para uma solução similar à atual ‘geringonça’, fazendo depender eventuais conversações futuras dos resultados das eleições de domingo, porque “são os decisores [cidadãos eleitores] que fazem a arrumação de forças na Assembleia da República”.

Na sede do PS, em Lisboa, o ministro Mário Centeno, candidato a deputado pelo PS, mostrou-se disponível para debater com o presidente do PSD ou com um candidato a deputado as previsões macroeconómicas dos programas eleitorais dos dois partidos.

Em resposta, o porta-voz do Conselho Estratégico Nacional do PSD para a área das Finanças Públicas, Joaquim Miranda Sarmento, disse à Lusa que o professor Álvaro Almeida está disponível para debater com Mário Centeno.

O ainda ministro das Finanças considerou também que o PSD tem 4.750 milhões de euros por explicar no seu programa eleitoral, acrescentando que há propostas “materialmente impossíveis” no cenário social-democrata.

Em Vila Nova de Gaia, o porta-voz do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) afirmou que o partido nunca viabilizará a construção do aeroporto do Montijo nas atuais condições e pediu ao PSD e CDS-PP para esclarecerem a sua posição sobre o assunto.

Enquanto a cabeça de lista do PCTP/MRPP por Lisboa questionou o Governo sobre os prejuízos da TAP, o Juntos Pelo Povo (JPP) defendeu a revisão do Código Penal para tornar o combate à corrupção mais eficaz e os dirigentes do MPT-Partido da Terra andaram a apanhar lixo entre o Cais do Sodré e o Chiado, em Lisboa, alertando para “a tragédia” ambiental que acontece após os fins de semana.

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