“Deloitte fala de negócio de venda da GNB Vida quase branqueando-o, sem apresentar elementos”, diz Mariana Mortágua

Deputada bloquista diz que o facto de a Deloitte não referir na sua auditoria que assessorou financeiramente o Novo Banco na venda da GNB Vida coloca em causa o documento.

Para o Bloco de Esquerda, a auditoria ao Novo Banco está “ferida de morte” e não garante “seriedade, rigor e independência” necessária ao processo de escrutínio às operações realizadas. Segundo a deputada Mariana Mortágua, em causa está o “conflito de interesses” na sequência da notícia avançada pelo Jornal Económico nesta sexta-feira que revela que a Deloitte Espanha assessorou o Novo Banco na venda da GNB Vida concluída em 2019. Por isso, diz, fez um “pedido político” ao Presidente da República e ao Governo que a considerem nula.

“O relatório fala do negócio de venda da GNB Vida quase branqueando-o, por não apresentar elementos”, afirmou ao Jornal Económico Mariana Mortágua, realçando aqui que os auditores não falam de na primeira tentativa de venda da seguradora em 2018.

A notícia foi avançada pelo Jornal Económico e omitida da auditoria especial ao Novo Banco feita pela Deloitte [portuguesa]. “Nunca a Deloitte iria criticar a si própria”, acrescenta a deputada bloquista. Não fala na primeira tentativa de venda, em 2018, a Greg Lindberg, um milionário do setor dos seguros que foi condenado este ano por fraude, corrupção e evasão fiscal e depois na venda ao fundo Apax “omitem as ligações deste fundo a Greg Lindberg” e “nõo explicam como os valores de venda passaram de 190 milhões para 123 milhões de euros”.

A seguradora GNB Vida foi vendida com um desconto de 68,5% que fez com que o Novo Banco perdesse 268,2 milhões euros, perda compensada com verbas do Fundo de Resolução. Para a bloquista esta foi uma “negociata descarada” à qual o Fundo de Resolução “fechou os olhos”, aceitando a operação de “fachada” do banco.

A auditoria ao Novo Banco, que menciona este negócio, refere o comprador Apax Partners, mas sem nunca referir as suas ligações a Lindberg. Além disso, explica Mariana Mortágua, a auditoria também não refere a perda de 107 milhões de euros face aquilo que tinha sido a primeira opção face a 2018.

“A Deloitte, na sua auditoria, não refere a desvalorização da GNB Vida, não refere as associações entre o comprador a um corrupto condenado e também não refere que a própria Deloitte foi assessora financeira do Novo Banco na venda da GNB Vida e, portanto, tem uma responsabilidade partilhada”, realça Mariana Mortágua. Para esta deputada, o facto de não referir na sua auditoria que assessorou financeiramente o Novo Banco na venda da GNB Vida coloca em causa a auditoria. Mariana Mortágua conclui que o consultor de uma venda não pode auditar de forma independente essa venda.

O BE, que esta semana avançou com um pedido para uma nova comissão de inquérito ao Novo Banco, pede, por isso ao Presidente da República e ao Governo que a considerem nula.

O JE noticiou nesta sexta-feira, 4 de setembro, que a Deloitte Espanha assessorou o Novo Banco na venda da GNB Vida que foi desencadeada em 2017 e concluída em outubro de 2019 e que gerou perdas de 250 milhões, segundo fonte ligada ao processo.

A Deloitte & Associados, SROC foi a entidade independente escolhida para fazer a avaliação determinada pelo Governo em fevereiro de 2019 e que abrange os atos de gestão do BES/Novo Banco entre 2000 e 2018. Apesar de serem instituições juridicamente independentes, as duas empresas pertencem à rede global da Deloitte, o que poderá ter levado a auditora a ter de analisar potenciais constrangimentos na avaliação aos atos de gestão do Novo Banco. A Deloitte não quis fazer comentários.

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