Nos tempos que correm, marcados pela velocidade vertiginosa da transformação tecnológica, a gestão enfrenta um novo e exigente paradigma: o da integração crítica da Inteligência Artificial (IA) nos processos organizacionais e na própria formação dos futuros gestores. Tal como aconteceu recentemente com a pandemia e com a instabilidade geopolítica, também a difusão massificada da IA obriga a um estado ampliado de alerta e reflexão estratégica.

Se, durante décadas, a vantagem competitiva assentou na capacidade de recolher e analisar informação, hoje encontramos algoritmos capazes de processar volumes de dados outrora inimagináveis. Estudos recentes, incluindo um importante Policy Paper da Fundação Francisco Manuel dos Santos indicam que, em Portugal, quase 30% do emprego se encontra em profissões seriamente ameaçadas pela automação e pela IA, enquanto uma fatia adicional será profundamente transformada por estas tecnologias. Esta realidade não pode deixar de influenciar o modo como pensamos a gestão e o papel das business schools.

O enorme potencial analítico da IA não elimina – antes reforça – a necessidade de competências críticas, capacidade de contextualização e ceticismo construtivo. A tecnologia amplifica o acesso a dados, mas não substitui a interpretação cuidadosa nem a formulação das perguntas (prompts) certas. A verdadeira vantagem não residirá em quem tiver mais algoritmos, mas em quem melhor compreender os seus limites, enviesamentos e implicações éticas.

Aqui, o papel das business schools torna-se central como laboratório de pensamento crítico, onde se desenvolvem tanto hard skills fundamentais – estatística, economia, análise de risco ou programação – como competências de julgamento, prudência e decisão em contextos de incerteza. A proliferação de ferramentas de IA generativa pode induzir uma perigosa ilusão de simplicidade, levando alguns a acreditar que o esforço analítico é dispensável. Pelo contrário: nunca foi tão necessário compreender profundamente os modelos, a sua lógica, as suas suposições e as suas falhas.

A Harvard Business Review tem sublinhado que a IA é tão boa quanto a qualidade das perguntas que lhe colocamos. Num artigo recente, salienta-se ainda que cerca de dois terços dos gestores já encaram a IA generativa como um verdadeiro thought partner, sobretudo na definição estratégica, na abertura de novas perspetivas e no desenvolvimento de liderança.

Importa reforçar, assim, que a tecnologia não substitui a dimensão humana da gestão. A capacidade de interpretar sinais frágeis, compreender nuances culturais, lidar com ambiguidade ou mobilizar equipas continua a depender daquilo que poderíamos chamar genuine intelligence. Num momento em que o ruído informacional cresce exponencialmente, a clareza de pensamento humano torna-se um ativo ainda mais precioso.

As escolas de gestão enfrentam, assim, o desafio de equilibrar dois movimentos complementares: aproveitar o poder da IA para elevar a eficiência e a capacidade de análise e, simultaneamente, reforçar o pensamento crítico, o rigor conceptual e a inteligência humana que garantem decisões responsáveis e sustentáveis. Este é, talvez, o verdadeiro risco e a verdadeira oportunidade dos tempos que correm.

(Este texto foi escrito com o apoio de ferramentas de Inteligência Artificial)