Descubra como a fotocatálise pode melhorar a qualidade do ar, na rua e no escritório

A I Jornada Luso-Espanhol de Fotocatálise será organizada pela Associação Ibérica de Fotocatálise e decorre amanhã, dia 27 de novembro, na Ordem dos Engenheiros, em Lisboa, a partir das 09h30m.

Cristina Bernardo

A cidade de Lisboa vai acolher esta terça-feira, dia 27 de novembro, uma jornada de debate sobre o ainda desconhecido processo da  fotocatálise, na Ordem dos Engenheiros, no que se pretende ser uma iniciativa para explicar as aplicações práticas para a melhoria da qualidade de vida nas nossas cidades.

A I Jornada Luso-Espanhol de Fotocatálise será organizada pela Associação Ibérica de Fotocatálise (AIF, www.fotocatalisis.org), entidade que reúne as principais empresas ativas em tecnología fotocatalítica, e conta com a colaboração de universidades e entidades públicas e privadas de investigação, com o objetivo de estender o seu uso.

Haverá lugar a diversas intervenções , que irão esclarecer como este processo pode melhorar a qualidade do ar e reduzir custos de conservação de infraestruturas.

O que é a fotocatálise? É o processo químico mediante o qual uma superfície tratada (paredes interiores e exteriores, pavimentos) com dióxido de titânio, ou outros compostos afins – graças à radiação ultravioleta proveniente da luz natural ou artifical- reduz e decompõe contaminantes como os óxidos de nitrógenio, transformando-os em resíduos sólidos (nitritos e nitratos) drenados por chuva ou lavagens.

“Os óxidos de nitrogénio são o principal agente contaminante e nocivo produzido pelos
motores de gasolina e/ou ‘diesel'”, defende um comunicado da AIF – Associação Ibérica de Fotocatálise.

“A fotocatálise é, portanto, uma reação comparável à fotossíntese. Nesta, a clorofila, graças à luz, transforma o dióxido de carbono em oxigénio,e na fotocatálise o dióxido de titânio transforma agentes tóxicos respiráveis em resíduos sólidos, também graças à luz.
Podem aplicar-se agentes fotocatalíticos em todo o tipo de superfícies: ruas, pavimentos,
passeios, fachadas e coberturas de edifícios, mobiliário urbano, têxteis… Todos eles podem funcionar como ecrãs de neutralização dos óxidos de nitrogénio e outros gases nocivos”, destaca o referido comunicado.

A AIF assinala que, “também em espaços interiores, a fotocatálise tem múltiplas aplicações”.

“Estima-se que 25% das baixas laborais estão relacionadas com o ‘síndroma do edifício doente’, aquele que por más condições de ventilação ou outros factores, contêm na atmosfera compostos orgânicos voláteis (COV) nocivos ou outros contaminantes provenientes de aerossóis e produtos como, por exemplo, o ‘toner’ das impressoras) habituais em escritórios”, acrescenta o referido comunicado.

As pinturas e painéis fotocatalíticos para interiores contribuem para melhorar a qualidade do ar, assegura a AIF. Por outro lado, a associação garante que as superfícies catalíticas “são mais resistentes à fixação de partículas sujas de diversas origens, pelo que facilitam uma poupança de lavagem e limpeza”.

Pelo seu elevado número de horas naturais de radiação solar, Portugal e Espanha são dois dos países do mundo em que a tecnologia fotocatalítica “poderia obter maior potencial e ebenfícios”.

A AIF recorda vários passos que foram dados nesse sentido nos últimos anos: em 2014, a câmara municipal de Barcelona incorporou a proposta de incluir produtos fotocatalíticos nos seus cadernos de encargos para pavimentos; entretanto, em Madrid, nos últimos anos, levaram-se a cabo aplicações em edifícios emblemáticos da Gran Vía, assim como nos municípios de Villaverde e La Rosilla.

Além disso, cidades como Málaga, Cádiz, La Coruña, Palma de Maiorca, Castellón, Valência, Saragoça e Bilbau, entre outras, acolheram projetos que incorporam superfícies fotocatalíticas em edificações de nova construção ou reabilitações.

Atualmente, o Ministério do Fomento espanhol lidera um projeto para elaborar, no prazo de dois anos, um ‘Guia de Aplicações Fotocatalíticas em Infraestruturas de Transporte’.

Em Portugal, ainda não existem exemplos conhecidos de edifícios que tenham recorrido a este tipo de tecnologia.

A AIF destaca que, desde 2011, tem organizado jornadas e encontros profissionais destinados a divulgar as vantagens e aplicações práticas da fotocatálise, além de promover a certificação, com que se garante a capacidade provada em laboratório de produtos de consumo ou industriais que incorporem e publicitem tecnologia
fotocatalítica.

A AIF já organizou jornadas de divulgação da fotocatálise em Madrid, Barcelona, Valência, Sevilha, Bilbau, La Coruña, Oviedo e Saragoça, contando com a participação de especialistas científicos, universitários e responsáveis de administrações públicas.

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