Dez bancos pequenos lucram 91,46 milhões em 2018, metade do ano anterior

Um ano após a entrada em vigor da Diretiva dos mercados de instrumentos financeiros (DMIF II), os bancos de pequena dimensão vêem, no geral, os resultados líquidos caírem de forma significativa. O BPG lidera as perdas em 2018 com 14,02 milhões de prejuízos; o EuroBIC lidera os lucros com um resultado de 42,46 milhões; e o Atlantico Europa tem a melhor rentabilidade dos capitais próprios.

Um ano após a entrada em vigor da Diretiva dos mercados de instrumentos financeiros (DMIF II), os bancos de pequena dimensão vêem, no geral, os lucros caírem de forma significativa.

Analisámos o Banco Português de Gestão (BPG); o EuroBIC; o BNI; o Bison Bank; o Haitong Bank; o Carregosa; o Atlantico Europa; o Banco Finantia; o Banco Invest; e o BiG, segundo as contas publicadas.

Veja aqui a tabela com os valores analisados.

O BPG lidera em perdas. Os prejuízos do banco da Fundação Oriente em 2018 foram de 14,02 milhões de euros, um agravamento, face aos 807,6 mil euros obtidos em 2017, de 1835,4%.

A rentabilidade dos capitais próprios do banco é negativa em 57,1%, sendo que o banco, apesar dos prejuízos tem capitais próprios acima dos 20 milhões (24,5 milhões).

Os prejuízos já se fazem sentir no exercício de 2019, tendo o BPG apresentado um resultado negativo no primeiro trimestre de 2019,  de 239 mil euros.

Também com prejuízos em 2018 surge o BNI. O BNI Europa apresentou pela primeira vez prejuízos. O banco liderado por Pedro Pinto Coelho teve  6,5 milhões de euros de prejuízos que comparam com um lucro de 2,286 milhões de euros em 2017 (uma queda de 110,65%).

As imparidades para crédito justificam em parte este resultado, uma vez que subiram de 524 mil euros em 2017 para 10,6 milhões de euros em 2018.

O custo do risco passou de 55 pontos base (0,55%) para 599 pontos base (5,99%). O BNI invoca a aplicação das novas regras contabilísticas conhecidas como IFRS 9, para explicar em parte este agravamento.

O BNI Europa viu os custos agravarem de 7,7 milhões para 10,1 milhões num ano e o resultado operacional a cair 49%, de 5,5 milhões em 2017 para 2,8 milhões em 2018.

A rentabilidade dos capitais próprios é negativa, de -25,2% e o banco apresenta capitais próprios abaixo dos 20 milhões de euros.

O Bison Bank está também na lista de bancos pequenos que teve prejuízos em 2018. O resultado anual do banco de investimento que era do Banif e foi comprado em julho de 2018 pelos chineses da Bison Capital, é negativo em 11,028 milhões de euros, agravando-se 80,3% face ao ano 2017. A Rentabilidade dos capitais próprios (ROE) é de -19,49%, tendo em conta que o capital próprio, segundo o relatório e contas de 2018, é de 56,573 milhões.

O Bison explica que em 31 de dezembro de 2018, em base individual, o Bison Bank incorreu num prejuízo de -9,4 milhões de euros, o que inclui um impacto positivo da participação na Turirent (0,5 milhões de euros) e um impacto negativo da participação na Art Invest (- 0,1 milhões de euros).

Numa base consolidada, o Bison Bank incorreu num prejuízo de -11,0 milhões de euros, em consequência da consolidação das perdas líquidas do primeiro semestre de 2018 da Profile (-1,4 milhões de euros) e do Banif Multifund (-0,2 milhões de euros). O banco explica que “desconsiderando os impactos não recorrentes, as perdas líquidas consolidadas recorrentes ascendem a cerca de -5,8 milhões de euros”.

O Bison Bank é composto por entidades especializadas no sector bancário (gestão de patrimónios e banca de investimento). No primeiro trimestre do ano o prejuízo do ex-Banif BI já soma 1,64 milhões.

Os restantes bancos tiveram lucro em 2018 (excepto o Banco Carregosa que apesar de ter já os números do primeiro trimestre deste ano, não tem publicado o resultado anual, pelo que não é conhecido o resultado líquido do ano passado).

Os bancos pequenos que mais lucros tiveram em 2018 foram o EuroBIC que lucrou 42,46 milhões de euros. O banco liderado por Fernando Teixeira dos Santos, viu os resultados subirem num ano 69,6%. O ROE do banco que mede a rentabilidade está nos 8,9%.

O segundo que mais lucros teve foi o Banco Finantia que encerrou 2018 com um resultado líquido consolidado de 38,6 milhões, e vai distribuir dividendos de 13 cêntimos por ação.

O banco que acabou com a figura do CEO e passou a ser gerido por David Guerreiro, Ricardo Caldeira e Telma Oliveira como administradores delegados, mantendo António Vila-Cova como Chairman, viu os lucros subirem num ano 9,6%.

O ROE do banco compara bem com os seus pares uma vez que está nos 10,2%.

No primeiro trimestre o banco fundado por António Guerreiro e Luísa Antas teve 9,8 milhões de lucro.

O BiG, de Carlos Rodrigues, teve o terceiro melhor resultado líquido dos bancos em análise. O lucro de 2018 foi de 23,056 milhões. No entanto sofreu uma queda de 56% face ao lucro de 2017, e a rentabilidade dos capitais próprios está apenas em 6,7%.

No primeiro trimestre o BiG, que passou a ter Mário Bolota como CEO, teve lucros de 3,173 milhões de euros.

Os que mais subiram os lucros foi o Haitong Bank e o Banco Invest.

O ex-BESI teve um resultado em 2018 de 1,16 milhões de euros, o que compara com prejuízos de 130 milhões registados em 2017 (+869,2%). Em parte este resultado é provocado pela descida das imparidades constituídas, que passaram de 79 milhões em dezembro de 2017 para 26 milhões em dezembro de 2018.

O ROE do banco de investimento é no entanto muito baixo, de 0,2%.

Apesar do lucro consolidado o Haitong Bank apresentou prejuízos nas contas individuais de  4,57 milhões de euros.

O Banco Invest, do grupo Alves Ribeiro, teve um lucro de 9,03 milhões em 2018, mais 56% do que em 2017, e tem uma rentabilidade dos capitais próprios de 8%. No primeiro trimestre de 2019 o lucro foi de 4,6 milhões.

Finalmente, o Atlantico Europa, liderado por Diogo Cunha, teve lucros de 7,15 milhões em 2018, o que no entanto representa uma queda de 24,4% face a 2017. Mas o banco lidera em termos de rentabilidade dos capitais próprios, ao apresentar um ROE de 11,15%.

No computo geral os dez bancos pequenos lucram 91,46 milhões em 2018, menos 53,82% do que no ano anterior.

No primeiro trimestre deste ano estes dez bancos somam 29,6 milhões de lucros.

Fontes do setor financeiro adiantam que os números de 2018 são o retrato de um setor que tem de suportar custos elevados “e desproporcionais à sua dimensão” com o cumprimento de todas as novas regras da indústria.

Citando uma advogada da SRS num artigo publicado pela Funds People, “toda esta nova regulamentação pensada em beneficio do investidor e na criação de mais transparência e segurança nos mercados financeiros poderá, a longo, senão mesmo a médio prazo, ter efeitos perversos como a diminuição da qualidade da análise feita e a contribuição para o afastamento das gestoras de ativos de menor dimensão e pequenas empresas de consultoria para investimento, com o consequente empobrecimento da informação e, daí diretamente decorrente, dos mercados”.

Segundo a mesma jurista, sócia da sociedade SRS, “as novas regras de reporte, transparência nos preços e na execução das operações, independência na consultoria para o investimento e de adequação dos investimentos ao respectivo perfil de risco”;  poderão ter consequências desastrosas nos mercados, “como a imposição feita aos gestores de ativos de suportarem os custos com análise, ao invés de receberem tal serviço gratuitamente dos brokers e bancos de investimento. o, dificuldades substanciais as gestoras de ativos de menor dimensão”.

“Se a maioria das grandes gestoras optou por absorver tal custo em vez de o passar para os clientes, os operadores mais pequenos, dificilmente conseguirão ombrear com essa pressão sobre a respetiva conta de resultados, de tal modo aumentarão os respectivos custos, o que já levou, por um lado, a um corte nas despesas e, por outro, a diminuição da sua atividade, ou mesmo saída do mercado”.

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