Dia raro em Israel: líder israelita encontra-se com partidos árabes

Benjamin Gantz, que anda à procura de uma coligação para formar governo, encontrou-se com líderes dos partidos árabes israelitas.

O líder do Kahol Lavan, Benjamin Gantz, reuniu esta quinta-feira com os líderes da Lista Conjunta, uma aliança de quatro partidos de maioria árabe, como parte do seu esforço para formar uma coligação que possa formar um governo estável. Um momento raro na vida política de Israel, onde os encontros entre partidos dos dois lados da barricada – apesar de serem todos israelitas – são absolutamente incomuns.

Segundo os jornais do país, no final da reunião entre Gantz, Ayman Odeh e Ahmad Tibi, todos afirmaram que a reunião havia sido cordial e que questões importantes para a sociedade árabe de Israel foram debatidas – num quadro em que o encontro não obedeceu a qualquer prévia negociação, nem havia assuntos-tabu.

Ayman Odeh acrescentou que “discutimos questões cruciais da sociedade árabe, além dos interesses comuns de todos os cidadãos de Israel. Permanecemos leais aos valores da paz e da igualdade e, como sempre, saudamos a histeria do Likud”.

Odeh, líder do partido Yisrael Beiteinu, descartou a opção da formação de um governo minoritário apoiado parlamentarmente pela coligação da Lista Conjunta, num cenário em que os partidos árabes votariam a favor da legislação governamental, mas não se juntariam à coligação do governo.

Recorde-se que em setembro, a Lista Conjunta decidiu apoiar Gantz para o lugar de primeiro-ministro de Israel, algo que não só surpreendeu muitos analistas internacionais, como teve ainda o condão de enraivecer o partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Mas nem todos os partidos da coligação árabe apoiaram a decisão de apoiar Gantz: o Balad, um dos partidos que a compõem – afastou-se dos resantes, mantendo um distanciamento que é tradicional em Israel, o que de algum modo dá a entender que os árabes israelitas também estão divididos, apesar do seu reduzido número.

O presidente do Balad, Mtanes Shehadeh, escreveu que o Kahol Lavan “pode ​​ser considerado parte da direita tradicional. Os seus pontos de vista sobre a ocupação não estão longe dos de Netanyahu, mesmo que sejam menos extremos do que o projeto de ocupação que Netanyahu tenta levar a cabo. O mesmo vale para as suas opiniões sobre o caráter e a identidade de Israel e sobre a política económica”.

No fundamental, Shehadeh tem razão: Gantz sempre se afirmou como alguém do centro do espectro político, bem mais próximo de Netanyahu que dos partidos de esquerda que governaram Israel nas primeiras décadas depois da formação do país, em 1948. Aliás, esta é uma crítica recorrente que Gantz tem tido de enfrentar: a abertura do diálogo com os árabes israelitas não é algo que os israelitas que votaram na coligação considerem o melhor dos mundos.

Se as eleições tiverem que ser repetidas – como tudo aponta que sucederá – esta temerária decisão pode revelar-se uma catástrofe para as aspirações de Gantz.

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