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Disney: novo CEO irá assumir liderança num cenário repleto de riscos

Nos últimos anos, a divisão liderada por Josh D’Amaro tornou-se o principal motor de resultados da Disney. Agora, o gestor prepara-se para assumir os destinos da Disney com foco na diversificação geográfica das receitas. Leia a análise da corretora XTB.
4 Fevereiro 2026, 15h15

O mercado espera que a Walt Disney anuncie Josh D’Amaro como o novo CEO. Até agora, D’Amaro foi responsável pela área de parques e experiências, um dos segmentos mais rentáveis do grupo e, simultaneamente, um dos mais resilientes no período pós-pandemia.

A transição está marcada para acontecer em março, coincidindo com a assembleia anual de acionistas, e representa uma mudança relevante na liderança da empresa; num momento em que o sector dos media enfrenta transformações profundas, impulsionadas tanto pela inteligência artificial como por um novo ciclo de consolidação entre grandes players.

Nos últimos anos, a divisão liderada por D’Amaro tornou-se o principal motor de resultados da Disney. Os parques, cruzeiros e experiências associadas não só recuperaram rapidamente após a pandemia, como passaram a representar uma fatia dominante dos lucros do grupo. Este desempenho ajudou a compensar a volatilidade do negócio de streaming e a pressão competitiva crescente no mercado de conteúdos.

Ao mesmo tempo, a empresa tem vindo a apostar na expansão internacional deste segmento, incluindo o desenvolvimento de um novo parque no Médio Oriente, um movimento que reforça a ambição global da marca e a diversificação geográfica das receitas.

Ainda assim, o novo CEO não entra num cenário isento de risco, uma vez que a quebra no fluxo
de turistas internacionais para os Estados Unidos já começou a ter impacto no negócio dos parques; a somar que o mercado reagiu de forma sensível quando a empresa sinalizou este fator como um travão de curto prazo. Para além disso, D’Amaro terá de lidar com um desafio diferente daquele que enfrentou até agora: a gestão direta do negócio de conteúdos e das relações com Hollywood.

Este ponto é particularmente relevante num contexto em que a inteligência artificial está a redefinir processos criativos e a gerar tensão nas negociações laborais. Com vários contratos coletivos prestes a expirar, o equilíbrio entre eficiência tecnológica, direitos dos criadores e sustentabilidade financeira será um dos testes mais delicados do seu mandato e é vista com alguma preocupação por parte do mercado.

Inteligência artificial na Disney: oportunidades e tensões no sector criativo
A Disney está também sob atenção acrescida após decisões estratégicas recentes no domínio da IA, incluindo parcerias e investimentos que levantam questões sobre propriedade intelectual e posicionamento futuro da empresa num sector cada vez mais híbrido entre tecnologia e entretenimento.

Do lado competitivo, o ambiente tornou-se mais exigente: plataformas de streaming continuam a ganhar escala e a explorar aquisições estratégicas, aumentando a pressão sobre os estúdios tradicionais e forçando decisões rápidas num mercado em transformação.

No mercado de capitais, a empresa apresentou os resultados do último trimestre recentemente (2 de fevereiro 2026) e apesar dos bons números, as ações da empresa acabaram por cair mais de 6% na sequência da publicação dos resultados.

As perspetivas da empresa foram revistas em baixa para o próximo trimestre, o que acabou por desapontar os investidores. Este poderá ser um dos grandes desafios do novo CEO, uma vez que as ações se encontram cerca de 40% abaixo dos seus máximos históricos, atingidos em 2021.


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