Dispensa de medicamentos em farmácia hospitalar representa custo anual de 199 milhões de euros

Em média, cada doente desloca-se 7,6 vezes ao hospital por ano, para levantar medicamentos, sendo que cada ida ao hospital tem um custo de 14,30 euros para o utente, bem como a dispensa de 5 horas e 27 minutos.

O Índice de Saúde Sustentável revelou esta quinta-feira que a dispensa de medicamentos em farmácia hospitalar tem um custo anual de 199 milhões de euros, aponta o estudo desenvolvido pela Nova Information Management School e pela biofarmacêutica AbbVie.

Este estudo procurou conhecer a dinâmica da dispensa de medicamentos em farmácia hospitalar bem como o seu impacto sistémico, aponta em comunicado. O estudo indica que perto de 6,4% dos portugueses que fazem terapêutica regular tomam medicamentos de dispensa exclusiva em farmácia hospitalar, sendo que a maioria levanta os medicamento onde tem as consultas, enquanto outros levantam num hospital diferente.

Em média, cada doente desloca-se 7,6 vezes ao hospital por ano, para levantar medicamentos, sendo que cada ida ao hospital tem um custo de 14,30 euros para o utente, bem como a dispensa de 5 horas e 27 minutos, sendo 4 horas e 10 minutos em deslocações e 1 hora e 17 minutos de espera no próprio hospital.

O estudo somou o custo total das idas ao hospital, que constitui 36 milhões de euros, com o valor económico do tempo despendido, que representa 149 milhões de euros, concluindo que a dispensa de medicamentos tem um custo anual de 185 milhões de euros para o doente.

Além disso, o estudo estimou também o valor económico do tempo despedimento por parte do hospital, que represente 14 milhões de euros, num total anual de 199 milhões de euros.

“Estes dados mostram que há oportunidade de tornar o sistema mais flexível, produtivo e sustentável. Nos últimos meses, por uma necessidade decorrente da crise pandémica, tornou-se evidente que é possível retirar dos hospitais algumas atividades, nomeadamente a dispensa de medicamentos, e consequentemente reduzir a pressão sobre os mesmos”, explica Pedro Simões Coelho, professor da Nova IMS e coordenador do Índice de Saúde Sustentável.

“Uma mudança de paradigma que pode reduzir custos para os utentes e para os hospitais, mas também melhorar o acesso dos doentes aos medicamentos e fomentar uma maior proximidade entre os serviços de saúde e os utentes”, sustenta.

Relativamente à evolução do índice, o estudo verificou uma ligeira descida dos 102,9 para os 101,7, que em parte pode ser explicada pela estabilização da atividade e o aumento da despesa de 6,1%, que continua a ser superior ao financiamento.

Apesar desta ligeira queda no indicador, o estudo realça também alguns pontos positivos como a diminuição da dívida vencida em 20% e do deficit em -8,5%. Regista igualmente um aumento significativo da qualidade dos serviços de saúde percecionada pelos cidadãos, num aumento de 4,6 pontos face ao ano passado.

O estudo revela ainda que mais de metade do valor investido no SNS em 2019 retornou, no próprio ano, para a economia. A prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral em 2,8 dias e perdas em produtividade equivalentes a 6,4 dias de trabalho por indivíduo, possibilitando uma poupança total de 3,6 mil milhões de euros. Considerando o impacto dessa poupança, é possível concluir que os cuidados prestados pelo SNS permitiram um retorno para a economia que ronda os 5,4 mil milhões de euros.

“Uma vez mais, o Índice de Saúde Sustentável demonstra o impacto positivo do investimento em Saúde e a necessidade de um SNS forte e sustentável, capaz de dar resposta aos utentes a longo prazo. Mostra também ser capaz de capitalizar os investimentos efetuados num reforço da qualidade dos serviços oferecidos aos cidadãos. Estes resultados, são aliás confirmados pela observação da atual atuação do sistema no quadro da crise pandémica. Esta é também uma oportunidade para aprender com o que correu bem, repensar algumas componentes do nosso sistema de saúde, e procurar inovar, para que possa sair deste episódio fortalecido”, termina Pedro Simões Coelho.

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