Dono da Toys “R” Us Iberia quer entrar na bolsa de Paris

A portuguesa Green Swan, do investidor Paulo Andrez, é um dos principais ‘players’ do mercado europeu de brinquedos e, em 2018, faturou uma média de um milhão de euros por dia. Se atingir os 500 milhões anuais tenciona entrar na bolsa de Paris.

 

Paulo Andrez é o principal acionista da Green Swan, a empresa portuguesa que está a construir um império de lojas de brinquedos: adquiriu a Toys “R” Us Ibéria no passado mês de agosto, a Maxi Toys, outra retalhista de brinquedos, e ainda tem na mira a compra de mais 25 lojas na Europa. No total, são donos de 230 lojas presentes em seis países europeus, onde trabalham 2400 funcionários.  Em 2018 faturaram 365 milhões de euros (uma média de um milhão de euros por dia). Caso decida entrar na bolsa, a médio prazo, Lisboa não é a melhor opção em cima da mesa. “Temos a ambição de entrar na bolsa de Paris, dentro de três ou quatro anos, quando faturármos 500 milhões de euros. Vai depender do crescimento”, diz o empresário ao Jornal Económico.

O investimento para estes negócios passaram por capitais próprios e financiamento junto de uma sociedade espanhola. No caso da Toy “R” Us Ibéria o valor foi de de 80 milhões de euros, a quatro anos, e incluiu o apoio da Incus Capital, uma sociedade espanhola. No caso da Maxi Toys, apesar de não revelar o valor transacionado, garante que não passou dos 70 milhões de euros. Em ambos os casos, a equipa de management destas empresas manteve uma participação minoritária. “Com as nossas marcas de brinquedos em outros países europeus, especialmente com a Toys “R” Us em Espanha e em Portugal, estamos a conseguir revolucionar um turbulento mercado de brinquedos. Uma revolução que mostra que as lojas de brinquedos são muito mais do que apenas produtos e uma indústria para famílias e pessoas de todas as idades. Com a Maxi Toys, vemos um grande potencial para oferecer ao cliente, permitindo-lhe uma experiência pessoal ainda melhor, na loja, on-line e em combinações dos dois, adicionando inovação, que é o driver da Green Swan”.

O negócio da Maxi Toys colocou a Green Swan como um dos principais players do setor dos brinquedos, continuando com a abordagem multicanal e adicionando inovação e experiência personalizada em loja. No final deste mês, a empresa de Paulo Andrez comprou à retalhista holandesa, Blokker Holding as suas ações da Maxi Toys International SA, que incluem as lojas da Maxi Toys na Bélgica, França, Luxemburgo e Suíça, bem como o centro logístico da Logitoys. Alain Hellebaut, CEO da Maxi Toys, permanecerá à frente do negócio: “A aquisição da Green  Swan permitirá à Maxi Toys avançar ainda mais ao longo do nosso caminho de crescimento multicanal no campo do marketing, gestão e experiência ao cliente. Dentro do novo grupo, a Maxi Toys terá a oportunidade de ser ainda mais desenvolvida enquanto marca internacional”, disse em comunicado.

Para já, os acionistas da Green Swan continuam a olhar para novos negócios no setor dos brinquedos. “Estamos a analisar mais oportunidades. Se viermos a precisar talvez possamos abrir o capital. Ou, no limite, obter financiamento bancário. Não devemos nada a ninguém”, acrescenta Paulo Andrez ao Jornal Económico.

Uma aposta forte no e-commerce é outra das prioridades do empresário. O negócio tradicional (dos brinquedos) “de colocar produtos até ao teto e depois apostar tudo na época de descontos está em declínio”. Na opinião do investidor, as empresas que tiveram dificuldade em adaptar-se aos mercados digitais estão a sofrer com isso. “Através do e-commerce conseguimos fazer entregas a partir das próprias lojas mas também a partir dos armazéns centrais”.

Além da abertura de novos espaços, a estratégia passa também pela mudança de conceito. Ou seja, inovar o sector. Os clientes já podem personalizar o seu próprio papel de embrulho e, em breve, será possível alugar equipamentos para festas de aniversário. “Nós costumamos dizer que na Toy R’ Us é proibido não tocar. Queremos que as crianças experimentem. Na verdade, até estamos a baixar o nível das prateleiras. Só ainda não o conseguimos fazer em todas as lojas porque implica uma logística complicada e não é uma coisa que se consiga fazer de um dia para o outro. Queremos prateleiras menos cheias, mais iluminadas e com mais espaço para as crianças mexerem. Outro serviço que vamos implementar é ter impressoras 3D para imprimir bonecos. Estas inovações são válidas tanto para a Toy “R” Us como para a Maxi Toys. Queremos uniformizar este conceito em ambas as empresas”, sublinha Paulo Andrez.

Artigo publicado na edição nº 1974 do Jornal Económico de 1 de fevereiro

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