Há três pessoas que importam neste novo impulso que vive a desgastada administração pública: Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão, a presidente do Compete e o CEO do Banco de Fomento. Três pessoas, uma só vontade – potenciar ao máximo os fundos europeus. O ministro, que lidera mas não centraliza, conhece a arte de atravessar os corredores políticos sem perder o rumo entre medos absurdos. Ao lado, duas traves: Alexandra Vilela (Compete) impõe energia e conhecimento; Gonçalo Regalado (Banco de Fomento) fixa ambição e método.

O que os une é a rara capacidade de concretizar, esmagando a hesitação crónica e a velha defesa burocrática – “ainda estamos a analisar…” – que, durante anos e anos, nos fez perder ou desperdiçar parte do dinheiro de Bruxelas. Este trio está a mostrar que há outro caminho: mais rápido, mais eficiente e com menos carimbos. As linhas, as garantias, a partilha de risco – foi tudo afinado para um único propósito: tirar mais partido dos fundos, multiplicando o impacto nas empresas. Por exemplo, 100 milhões de euros de garantia do Banco de Fomento podem transformar-se em 1.400 milhões de crédito (mais barato) distribuído pelos bancos comerciais protegidos pelo escudo do Estado.

Na verdade, é a dupla-verificação que faz toda a diferença. Além dos filtros do Banco de Fomento, há ainda o escrutínio dos bancos comerciais, atentos ao risco e habituados a dizer que não quando as ideias não prestam. O risco real? Os analistas falam em apenas 7%, a almofada criada pelos fundos europeus. Ou seja, o Compete muda porque tem direção, o Banco de Fomento muda porque tem agressividade, o sistema financeiro junta-se porque sabe que os incentivos à qualidade e à partilha do risco são reais.

No centro, o ministro incentiva e fiscaliza as decisões. Haverá problemas, claro, mas é o início de uma mudança sísmica. Se tiver êxito será uma reforma cultural decisiva. Que estejam todos à altura desta fase de menos desconfiança e mais ação.